Vale pode ter 10 vezes mais casos de coronavírus, segundo estudo

O número de casos de Covid-19 no Vale do Paraíba pode ser até 10 vezes maior do que mostram os dados oficiais, de acordo com pesquisa do Núcleo de Operações e Inteligência em Saúde, da PUC-Rio (Pontifícia Universidade Católica do Rio).

Segundo prefeituras, a região tinha 174 casos confirmados até esta terça-feira, além de 1.250 suspeitos.

Contudo, por causa da subnotificação e do atraso no resultado de exames, o número poderia chegar a pelo menos 1,7 mil casos confirmados, sem contar os pacientes suspeitos ainda sem resultado de exame.

Apenas em São José dos Campos os casos poderiam passar dos atuais 105 confirmados para mais de 1.000.

De acordo com os pesquisadores, apenas 8% das infecções são notificadas no país.

A porcentagem foi obtida calculando uma taxa de mortalidade esperada, levando em conta a pirâmide etária do local estudado, além da proporção de mortos em relação aos casos com desfecho. Ou seja, se o paciente faleceu ou se recuperou.

Quanto maior for a diferença entre a taxa de mortalidade esperada e a mortalidade nos casos com desfecho, maior será a subnotificação, dizem os pesquisadores.

No estado de São Paulo, o secretário de Saúde, José Henrique Germann, admitiu que o número real de casos pode ser até 10 vezes maior do que o notificado. Nesta terça, o estado tinha 9.371 casos confirmados e 695 mortes.

“Temos 100 mil pessoas acometidas da patologia. 80% delas não aparecem e não têm sintomas e necessidade de tratamento, muito menos de tratamento hospitalar”, afirmou Germann.

“A subnotificação existe em todos os países do mundo e temos que entender que os casos internados e confirmados representam o limite inferior da curva de ascensão. A subnotificação vai acontecer”, admitiu Dimas Covas, diretor do Instituto Butantan e da rede de testagem do coronavírus no estado.

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