SP já acumula em 2021 o dobro dos casos de dengue do ano de 2020

A cidade de São Paulo (SP) alcançou neste ano – em pouco mais de cinco meses – o dobro de casos de dengue registrados ao longo de todo o ano de 2020.

O último boletim da prefeitura paulistana, divulgado esta semana, aponta que até 10 de maio, houve 4.214 casos da doença causada pelo mosquito Aedes aegypti. Em todo o ano passado, foram 2.009* registros.

Ex-presidente da SBV (Sociedade Brasileira de Virologia), Maurício Nogueira explicou à reportagem que o baixo número de casos no ano passado – oito vezes inferior a 2019, com 16.966 casos – se deu, em parte, por influência do isolamento social na pandemia de covid-19.

“O isolamento ajudou enquanto forma de manter as pessoas em casa. Não por evitar aglomeração, mas porque a movimentação das pessoas faria o vírus se disseminar em diversas regiões”, disse o virologista. Portanto, comenta, a diminuição do deslocamento de pessoas entre diferentes regiões do país foi o fator de interferência na baixa de casos.

O ano de 2021 voltou a ter um aumento de casos porque, segundo Nogueira, no período entre feriados de fim de ano e o carnaval, as pessoas voltaram a se deslocar e se expuseram a mais locais de foco do vírus.

O fenômeno ainda ocorreu no intervalo de mais alta concentração dos casos da doença – entre dezembro e junho, com mais chuvas, há uma maior incidência do mosquito da dengue.

Além disso, uma nova variante deve influenciar num aumento significativo de casos entre este e os próximos dois anos. Nogueira aponta que o Brasil deve passar, até 2023, por mais uma epidemia de dengue.

“Os casos vão subir, especialmente a dengue [tipo] 2, devido a uma nova variante que entrou no Brasil três anos atrás e é a quarta variante de dengue 2 que entra no Brasil. A epidemia que vimos em 2019, agora vai disseminar em 2021 e 2022, e começar a gerar casos Brasil afora”, afirma Nogueira.

Cuidados
Os cuidados contra a dengue, lembra Nogueira, seguem os mesmos: evitar o acúmulo de água parada e lixo, onde pode haver criadouro do mosquito. Para comunicar à Prefeitura de São Paulo sobre locais de foco, basta ligar 156. Pela internet, o canal para solicitações sobre mosquitos é o Portal de Atendimento da Prefeitura de São Paulo 156.

Posicionamento da Prefeitura
Em nota, a Covisa (Coordenadoria de Vigilância em Saúde) informou que, mesmo em meio à pandemia de covid-19, todas as atividades de controle do Aedes aegypti, incluindo a ação casa-a-casa, estão sendo realizadas, conforme recomendação do Ministério da Saúde.

Além da aplicação de inseticida por meio de termonebulização, que ocorre de maneira contínua, também prosseguem as ações preventivas como monitoramento quinzenal de todos os córregos pertencentes à área de abrangência da região. Além disso, continuam sendo realizados o envio de relatórios mensais à Divisão de Vigilância em Zoonoses e à Subprefeitura local, a solicitação de manutenção e limpeza de bueiros e galerias, as vistorias nos endereços solicitados; o mapeamento e diagnóstico de área, com o cruzamento de informações obtidas em vistorias e a aplicação de inseticida em áreas delimitadas.

A Divisão de Vigilância de Zoonoses da Covisa comprou recentemente 30 veículos, distribuídos às 27 UVIs (Unidades de Vigilância em Saúde), para ações de nebulização de inseticida e larvicida biológicos, no combate aos mosquitos Culex (pernilongos) e Aedes aegypti (causador da dengue) em pontos estratégicos da cidade.

*Houve uma variação entre os números do boletim mais recente e do anterior, que indicava 2015 mortes, mas a SMS (Secretaria Municipal de Saúde) esclarece que, até a publicação do próximo boletim, quando os dados de 2020 serão oficialmente fechados, ainda pode haver alteração no total, por conta da retirada de duplicidades e inconsistências.

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