RMVale acumula mais de 15,5 mil internações por Covid, com alta nas últimas semanas

O risco nos hospitais. Quanto mais pessoas internadas por complicações da Covid-19, maior a chance de mortes em decorrência da doença. A ‘equação da morte’ é o maior desafios às autoridades de saúde e sanitárias para evitar a explosão de pandemia, que segue em crescimento no Vale do Paraíba e no país.

Na RMVale, segundo dados oficiais da Fundação Seade, mais de 15,5 mil pessoas foram internadas por complicações da doença desde 14 de abril, quando o levantamento começou.

Apenas esse contingente de internados supera a população de 20 cidades da região, o que dá a dimensão do problema em saúde.

A taxa de mortalidade entre as pessoas hospitalizadas é de 10,4%, considerando o total de 15,5 mil internados até terça-feira (22) e os 1.618 óbitos pela doença na região.

No entanto, segundo a Associação de Medicina Intensiva Brasileira, a taxa de mortalidade sobe para 65% nas internações em UTI (Unidade de Terapia Intensiva), que atendem os pacientes mais graves por Covid-19.

Dezembro lidera no total de internações desde setembro. O último mês do ano acumula 1.661 pessoas hospitalizadas na região até o dia 22, contra todo o mês de novembro (1.415 internações) e de outubro (1.354). Setembro aparece com 1.891, mas pode ser superado por dezembro até o final do ano.

Até o momento, os meses de julho e agosto são os recordistas em internações no Vale, respectivamente com 2.820 e 2.733 hospitalizados. “O crescimento de casos de Covid-19 se reflete no aumento de internações e consequente aumento de óbitos”, aponta o Observatório Covid-19 BR, grupo formado por 85 cientistas, pesquisadores e profissionais de várias universidades e instituições de pesquisa no Brasil e

exterior.

“Tais tendências não são homogêneas no país, havendo estados e cidades em situação gravíssima, enquanto em outros a situação é mais estável. No entanto, se olharmos para o país como um todo, o aumento de casos é indiscutível.”

NOVA ONDA.

Para a médica hematologista e hemoterapeuta Maria do Carmo Favarin, gestora regional do Sabin Medicina Diagnóstica em Ribeirão Preto, as aglomerações no final de ano podem agravar o quadro da pandemia em janeiro.

“Essa preocupação é real porque estamos vendo esse aumento do número de casos e as pessoas não estão se cuidando muito. Se não voltarmos com as medidas de proteção, a tendência é piorar em janeiro,

com aumento de número de casos, mortalidade e até ter que aumentar o número de leitos disponíveis nos hospitais.”

Maria do Carmo reforçou o sinal de alerta ao admitir que a segunda onda do coronavírus pode ser ainda pior do que a primeira no país. “Isso pode acontecer e vai depender do cuidado da população. Se a gente conseguir se preservar e se cuidar, especialmente agora no final do ano quando começam as confraternizações e os encontros de grupos. Temos que ser extremamente zelosos nesse ano ainda, tanto nos encontros como nas viagens, de forma a conseguir conter a disseminação do vírus e o aumento do número de casos.”

RISCO DE MORTE.

De acordo com levantamento da Associação de Medicina Intensiva Brasileira, a quantidade de dias de internação de pacientes com Covid-19 na UTI é um fator que aumenta o risco de morte. A média das internações no país é de 18 dias, mas 15% dos pacientes chegaram a superar os 30 dias de internação. Nesses casos, a letalidade geral chegou a 34,1%, indo a 49,2% na rede pública.

Além disso, houve necessidade de uso de medicamentos anticoagulantes em 34,6% dos pacientes com Covid-19 em UTI. E suporte para o funcionamento dos rins em 15,3%. Pacientes infectados que necessitaram de hemodiálise tiveram agravamento ainda maior do quadro, com a mortalidade em UTI chegando a 72,6%.

O perfil dos internados mostra que quase 60% dos pacientes com Covid-19 em UTI eram idosos, e 35,8% deles tinham comorbidades. Os homens são a maioria dos que necessitam de cuidados intensivos: 59% dos pacientes eram do sexo masculino.

“Compreender o aumento de casos e óbitos é relativamente simples se observarmos o contexto: na vigência de uma doença de transmissão respiratória em que se recomenda o distanciamento físico e uso de máscaras faciais, as medidas de relaxamento promovidas permitiram um aumento do número de contatos, sobretudo em locais fechados, em que o ar circula pouco, propiciando um aumento de infecções”, completa o Observatório Covid-19 BR. “Somar forças para controlar a pandemia é absolutamente necessário”.

Na UTI, taxa de ocupação aumenta 70% em 45 dias no Vale e preocupa Estado

Em 45 dias, a taxa de ocupação de leitos de UTI (Unidade de Terapia Intensiva) na RMVale subiu 70%, saindo de 30,92% de ocupação em 8 de novembro para 52,5% na última terça-feira (22). O indicador é divulgado pela Fundação Seade. O aumento na ocupação de leitos de UTI é o que mais preocupa o governo estadual no momento, levando ao recuo da região de Presidente Prudente para a fase vermelha do Plano SP a partir de 25 de janeiro. Os 45 municípios da região registraram uma taxa de ocupação de UTI de 83%. A taxa do estado é de 62%, também preocupante. “Precisamos do apoio dos municípios. Apoio dos prefeitos, secretários de Saúde, assim como da própria população, até as vacinas chegarem. Está bem perto. Vamos imunizar e proteger os brasileiros”, disse o secretário de Estado de Saúde, Jean Gorinchteyn..

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