Relaxamento da quarentena em SP não deve sair para capital nem cidades médias

As regras de afrouxamento do isolamento social no estado de São Paulo que serão anunciadas na sexta-feira da próxima semana (8 de maio) não devem contemplar cidades grandes, como a capital, nem médias, segundo informações preliminares do Palácio dos Bandeirantes, sede do governo paulista.

A retomada do comércio, de acordo com plano que vem sendo costurado, só deverá ser permitida para cidade com menos de 30 mil habitantes e que se encaixem em uma série de critérios que estão sendo fechados.

As novas regras entrarão em vigor em 11 de maio, podem sofrer alterações, mas já há diretrizes gerais que já são consideradas consensuais:

A decisão do governo em não liberar a maior parte das cidades tem relação com o agravamento da crise de covid-19. Hoje, a Secretaria estadual de Saúde comunicou que a partir do final de semana vai começar a tratar pacientes da Grande São Paulo no interior. Na região metropolitana da capital a ocupação das UTIs chegou a 89% – qualquer valor acima de 80% é sinal de perigo.

Parâmetros de saúde para entrar na flexibilização do isolamento
O governo está levando em conta três critérios principais de saúde para determinar se uma cidade pode afrouxar as regras de isolamento social. Só será permitido o afrouxamento a cidades que se encaixem nestes três requisitos:

Não ter registrado nenhuma contaminação por covid-19. São Paulo tem 645 municípios e 288 deles já tiveram pelo menos um caso.

Adesão ao isolamento social precisa estar acima de um mínimo que ainda será definido. Atualmente, trabalha-se com 55% como linha de corte, mas o valor pode sofrer alteração.

Ter unidade de saúde no município e leitos de UTI disponíveis na cidade ou nos arredores. Em paralelo, será feito um estudo para determinar a disseminação da covid-19 em cada região, o que é feito pela análise do número de casos e mortes.

Óticas poderão abrir; academias e restaurantes não
O grupo que trabalha na flexibilização da quarentena já tomou decisão sobre a volta ou não de alguns ramos nas cidades que puderem retomar parte dos negócios. É consenso que as óticas poderão reabrir por dois motivos principais. O primeiro, é o serviço ser considerado um ponto de apoio a saúde por corrigir um defeito de visão. A outra razão é que trata-se de um estabelecimento que não promove aglomerações e só é procurado por clientes que realmente precisam.

Restaurantes estão no grupo que não deve reabrir. A explicação é que ninguém sai para jantar sozinho. Permitir o funcionamento causaria aglomerações. E o decreto atual permite a entrega por delivery ou pegar a refeição na porta do estabelecimento.
As academias também continuarão fechadas. A justificativa é que o ambiente reúne muitas pessoas e há compartilhamento de aparelhos de musculação, halteres, esteiras e bicicletas. A possibilidade de contágio nestes locais é visível.

Os pequenos serão os primeiros
O governo de São Paulo não cogita autorizar a retomada dos negócios em cidades grandes porque a experiência de outros países mostra que grandes concentrações populacionais favorecem a transmissão da covid-19. Somente cidades com cerca de 30 mil habitantes ou menos poderão reabrir.

O interior já responde por um terço das mortes ocorridas durante a pandemia. Um estudo do Centro de Contingência ao Coronavírus em São Paulo aponta que a velocidade da covid-19 fora da Grande São Paulo é duas semanas atrasada. A cautela se explica porque as autoridades não querem acelerar a curva e ter pressão de leitos na região metropolitana da capital e no restante do estado ao mesmo tempo.

As regras das cidades incluídas na lista de flexibilização
As cidades que forem autorizadas a reabrir parte do comércio serão obrigadas a determinar que a população use máscaras na rua. Também haverá uma limitação para o número de funcionários que poderão trabalhar em cada estabelecimento. Eles também precisam estar de máscara.

Deve haver álcool gel para clientes e será controlada a entrada para evitar aglomerações. Em caso de filas para acessar o comércio, o governo de São Paulo exigirá que seja respeitada uma distância segura entre as pessoas.

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