Polícia reforça vigilância na área da tríplice divisa entre SP, RJ e MG

Levando policiais fortemente armados, helicópteros sobrevoam a comunidade à caça de bandidos. O clima é de tensão. O som dos tiros já é rotineiro na área, localizada nas proximidades da Baía de Guanabara e da Avenida Brasil.

A cena até lembra uma violenta guerra travada nas trincheiras de barracos e vielas. Mas trata-se de filme repetido que possui como cenário o Complexo da Maré, Zona Norte do Rio de Janeiro.

E a RMVale tem um papel estratégico neste palco de guerra, que só em 2019 teve 300 horas de operações policiais e cerca de 120 tiroteios. Segundo investigação recente, que envolveu o Ministério Público do Rio, São Paulo e Minas Gerais, traficantes do Vale do Paraíba vendiam drogas e armas em larga escala para comunidades cariocas.

Com ‘QG’ em Lorena e Juiz de Fora (MG), a quadrilha traficava armamentos de grosso calibre e drogas também dentro do Vale e Litoral Norte, além do sul de Minas e de cidades no litoral fluminense, como Paraty, além de outros pontos.

O grupo, investigado também por lavagem de dinheiro, é alvo da “Operação Barragem”, deflagrada na sexta-feira, com apoio da tropa do Baep (Batalhão de Ações Especiais da Polícia Militar) de São José dos Campos.

A operação cumpriu 18 mandados de prisão preventiva e cinco mandados de busca e apreensão, expedidos pela Justiça de Lorena.

DIVISA.

O comando da PM afirma que tem reforçado o policiamento e a atenção na área de divisa entre os três estados, trabalhando de forma integrada com oficiais cariocas e mineiros.

“Essa tríplice ‘fronteira’ é problemática, por ela passam drogas, têm criminosos que cometem crimes em outros estado e vem para cá. Recentemente, o Rio andou atacando o crime organizado, muito criminosos saíram da capital do Rio e foram para cidades vizinhas às nossas, de fronteira. É um caso bastante complicado. Temos feito uma atuação muito forte com o Baep e trabalhando com o serviço de inteligência, temos também trocado muita informação com a polícia de Minas e do Rio, e com os órgãos federais, como a Polícia Rodoviária Federal, e a partir daí montamos operações pontuais em alguns locais em que a gente suspeite que esteja havendo o problema de drogas, armazenamento, transporte, refinaria”, declarou o comandate da PM no Vale, coronel José Eduardo Stanelis.

Segundo forças policiais, estima-se que 90% da droga e do arsenal que abastecem o tráfico nas comunidades cariocas são escoados pelo Vale, principalmente pela Via Dutra, por onde passa metade do PIB (Produto Interno Bruto) brasileiro

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