Plano de ampliação das aulas presenciais em SP é questionada

Para garantir a segurança e evitar a transmissão do novo coronavírus com a ampliação das aulas presenciais em agosto, infectologistas avaliam a necessidade de uma melhora nos índices da pandemia e ventilação adequada nas salas de aula. Os pontos não foram colocados como regras em anúncio feito ontem pelo governo de João Doria (PSDB).

A partir do segundo semestre, as escolas poderão receber os alunos de acordo com sua capacidade física. Para isso, protocolos sanitários devem ser cumpridos. Até o momento, as instituições estavam autorizadas a receber 35% dos alunos.

“O ideal é esperar uma porcentagem de profissionais com a imunização completa”, disse o médico Paulo Lotufo, professor da USP (Universidade de São Paulo).

Nesta semana, no entanto, o secretário de Educação, Rossieli Soares, já havia falado que não condicionava o retorno das aulas presenciais com a imunização.

Lotufo também aponta que o plano deveria considerar a ventilação nas salas de aula. “Tem escola, inclusive particular, que tem péssima estrutura para ventilação do ar”, disse.

O médico do Hospital das Clínicas e diretor da Sociedade Paulista de Infectologia, Evaldo Stanislau, reforçou a importância de “renovação do ar, janelas e portas abertas” e de professores terem condições de dar aula sem precisar falar alto. “Disponibilizar microfone e ter cuidado com essa questão do áudio é fundamental.”

Apesar de Rossieli ter falado que, se a escola garantisse o distanciamento, poderia receber 100% dos alunos, a secretária-executiva da Comissão Médica da Educação, Kate Abreu, afirmou ao UOL que as escolas precisarão ter boa ventilação.

“Se for observado uma dificuldade na circulação de ar, a escola vai permanecer cumprindo os protocolos e recebendo os alunos conforme sua capacidade física.”

“Nossa proposta não é pautada apenas em reduzir um metro [de distanciamento] e considerar a capacidade física, mas também manter os demais protocolos”, disse Kate Abreu, secretária-executiva da Comissão Médica da Educação

Além do uso de máscaras, as regras definidas pelo governo estadual determinam:

– Cumprir o distanciamento de 1 metro entre os alunos;
– Plano de retorno com protocolos sanitários contra a covid-19;
– Presença opcional, sob decisão dos responsáveis pelos alunos.
O infectologista Natanael Adiwardana, da Rede D’Or São Luiz, aponta que o distanciamento “ideal é manter dois metros” e viu com “estranhamento” a ampliação das atividades presenciais em um momento de alta em mortes e casos de covid.

“Por mais que o governo tenha uma projeção otimista de vacinar, não temos panorama para que as crianças sejam vacinadas”, disse Adiwardana.

O governo estadual anunciou também que fará ações de testagens e de monitoramento de possíveis casos.

“Precisamos de testagem em massa, mas testes de antígeno. Se o percentual de positividade estiver elevado, devemos retroceder no plano. Se estiver pequeno e com alto índice de vacinados, teremos mais segurança”, disse Evaldo Stanislau, médico do Hospital das Clínicas e diretor da Sociedade Paulista de Infectologia

Em relação aos testes, Kate disse que o governo vai adquirir 3 milhões de unidades. No entanto, esses testes só devem chegar mais perto do início das aulas.

Stanislau sugere também que o governo distribua máscaras PFF2. “O distanciamento tem peso 1, o uso de máscara e boa ventilação tem peso 2.”

Kate afirmou que o governo distribuiu e irá distribuir máscaras aos professores, mas não no modelo PFF2 e, sim, as de pano, menos eficazes.

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