Periferia é área mais vulnerável ao coronavírus em S. José, diz ‘mapa’

As condições socioeconômicas dos bairros periféricos de São José dos Campos são um trampolim para a disseminação do novo coronavírus, especialmente pelas dificuldades em aderir ao isolamento social.

A maior parte das casas não tem as condições ideais para enfrentar a doença, como o espaço necessário para obedecer ao distanciamento entre as pessoas, em razão da quantidade de moradores juntos.

Nesse contexto, a pesquisa do demógrafo Leandro Becceneri, doutorando em Demografia pela Unicamp, e dos colegas Livan Chiroma e Luiz Antônio Chaves de Farias, mostra que os bairros das regiões sul e leste de São José têm mais risco para a propagação do vírus. “Na periferia, parece que a questão da quarentena não está sendo aplicada, e lá estão as pessoas mais expostas. Sem plano de saúde, elas dependem do sistema público de saúde e também podem não ter conhecimento de doenças preexistentes, o que agrava o quadro da doença”, disse Becceneri.

A pesquisa traz seis aspectos da cidade para compor o mapeamento de risco ao coronavírus em São José. O primeiro é a densidade demográfica.

Bairros como Dom Pedro 2º (sul), Pinheirinho dos Palmares (sudeste), Vila Rangel e Jardim Anchieta (norte) estão entre os de maior quantidade de habitantes por quilômetro quadrado, acima de 1.100 moradores. “Locais com alta concentração de pessoas facilita e acelera a transmissão do vírus nas cidades”, aponta a pesquisa.

Analisando imagens de satélite, os pesquisadores levantaram a densidade de ocupação, que mostra a quantidade de pessoas ocupando o mesmo espaço. Locais com muitos prédios e outros de terrenos de até 150 m² têm o indicador muito elevado, como em bairros dos extremos do município.

Na avaliação da população, os pesquisadores apontam que bairros como Campo dos Alemães (sul), Jardim da Granja (sudeste) e Esplanada (centro) têm entre 30% e 58% dos moradores com mais de 60 anos, faixa do grupo de risco para a epidemia do coronavírus.

O quarto aspecto do levantamento revela os bairros com a maior média de moradores por domicílio. Os de alta densidade, de quatro a sete pessoas por casa, estão nas zonas leste, sul e central, como Campos de São José, Pousada do Vale, Campo dos Alemães e Jardim São José.

“Nessas regiões periféricas, com infraestrutura deficitária, se o vírus chegar o espalhamento será muito facilitado. Tanto pelo movimento das pessoas e características sociais, como os lotes colocados muito perto uns dos outros, sem espaço entre as casas. Isso é o cenário ideal para espalhar o vírus”, afirmou Becceneri.

Também nestes locais a pesquisa revela a menor quantidade de banheiros por habitante, o que implica nas condições de higiene pessoal, fundamentais para evitar a contaminação por coronavírus. O último aspecto mostra maior vulnerabilidade social nos bairros da periferia, com responsáveis pelas moradias ganhando entre meio e um salário mínimo.

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