Pandemia do novo coronavírus tem queda recorde na RMVale

Pela primeira vez desde o início da pandemia, o Vale do Paraíba registra o maior período com tendência de queda no ritmo de contágio do coronavírus, com redução sustentada na quantidade de novos casos e de mortes por Covid-19.

Para especialistas, o quadro atual normalmente precede uma redução efetiva do número de diagnósticos positivos e de mortes pela doença.

“Se todo mundo se cuidar, conseguimos controlar a pandemia em novembro”, diz Paulo Barja, professor da FEAU (Faculdade de Engenharias, Arquitetura e Urbanismo), da Univap (Universidade do Vale do Paraíba).

Os números de outubro são os mais positivos desde o registro do primeiro caso confirmado de coronavírus no Vale, em 18 de março.

Outubro tem a menor média de novos casos e novas mortes diárias dos últimos três meses, segundo dados das prefeituras, respectivamente de 241 casos e cinco óbitos.

Em comparação, setembro terminou com média de 426 casos e nove mortes diárias, números que foram ainda maiores em agosto: 499 casos e 13 mortes diárias. Em julho, foram 362 casos diários e 11 mortes. Junho teve 161 casos e cinco mortes por dia, em média.

SEMANA.

Quanto ao total de infectados pela pandemia, a semana encerrada na quinta-feira (15) traz 1.446 novos casos, queda de 15% ante os novos casos da semana anterior. O número de mortes foi de 31 na última semana, 20,5% a menos do que os 39 óbitos do período anterior.

Os 1.446 casos dos últimos sete dias são o menor número, para o mesmo período, desde 22 de junho, quando a região teve 1.352 casos em sete dias.

“Voltamos ao patamar de meados de junho, com tendência de descida”, avalia Barja, que acompanha diariamente a evolução da pandemia no Vale.

Em coletiva de imprensa na sexta-feira (16), o secretário estadual da Saúde, Jean Gorinchteyn, ressaltou a melhora continuada dos indicadores da Covid-19 no estado, com queda no número de casos, mortes e de internações.

“Mas é preciso lembrar que ainda estamos em quarentena e devemos manter todos os cuidados, para que a queda seja continuada”, afirmou o médico e secretário.

EVOLUÇÃO.

Com cerca de 200 dias de pandemia no Vale, a evolução da doença aponta algumas características próprias da região, que impactaram no crescimento dos contaminados e no número de mortes.

Segundo o estatístico Paulo Barja, a trajetória do coronavírus no Vale aponta para uma “onda única” com intercorrências ao longo do tempo, basicamente marcadas por três picos de novos contaminados.

Tais picos são identificados pelo especialista em três momentos: abertura parcial do comércio no início de junho, em meados de agosto e o “efeito praia”, que impactou no crescimento da doença em setembro após o feriado prolongado do começo do mês.

“Os dois picos vistos em junho e em agosto foram mais impactantes em São José dos Campos, por isso associamos a questões mais locais. Porém, o ‘efeito praia’ em setembro foi mais forte fora de São José. Podemos explicar isso pelo fato de que em cidades como Taubaté as pessoas estão mais perto da praia”, diz Barja.

SEGUNDA ONDA.

Quanto à segunda onda em países da Europa, o que poderia ocorrer também no Vale após uma queda sustentada, quando o número absoluto de casos e mortes está verdadeiramente em queda, o estatístico analisa que a situação parece ser menos grave.

Os motivos seriam “testagem em massa”, que eleva o número de casos, e a segunda onda atingindo mais crianças e jovens, que adoecem, mas com letalidade bem menor, o que vem ocorrendo na Europa.

No entanto, Barja chama a atenção para um indicador que ainda merece atenção, que é o índice de subnotificação da Covid-19. No Vale, o fator tem ficado em 3 há um mês, abaixo da taxa de 6,5 já registrada na região. “Certamente muito melhor que antes, quando chegou a ser mais do que 6, mas ainda a considerar”, diz o professor.

O Vale atingiu 50.160 casos positivos de Covid-19 na quinta-feira (15), alta de 3% diante dos 48.714 diagnósticos da semana anterior. No mesmo período, foram 1.333 mortes contra 1.302, alta de 2,3%.

A sub-região de Taubaté tem a maior alta nos casos (5,2%) e também nas mortes (3,3%) em uma semana.

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