Ocupação de UTI para Covid está acima de 80% em 13 capitais, duas atingiram 100%

As taxas de ocupação de leitos de Unidades de Terapia Intensiva (UTIs) por pacientes com Covid-19 estão em alta. Levantamento feito que 19 estados brasileiros e o Distrito Federal permanecem com taxas de ocupação acima de 80%.

Entre as capitais, pelo menos 13 cidades operam com ocupação acima de 80%, duas delas, Curitiba (PR) e Teresina (PI), atingiram o limite máximo da capacidade. As cidades de Aracaju (SE), Boa Vista (RR) e Campo Grande (MS) não possuem dados atualizados para os leitos de UTI.

O chefe do Departamento de Infectologia da Universidade Estadual Paulista (Unesp), Alexandre Naime, alerta que o aumento observado nas taxas de hospitalização é reflexo das flexibilizações das medidas de distanciamento social e descuidos em relação à adoção de medidas de prevenção contra a doença, como o uso de máscara, a higienização das mãos e evitar aglomerações.

“Já entramos numa terceira onda há mais de duas semanas. O número de casos aumentou demais e as UTIs estão lotadas. No Hospital das Clínicas da Unesp, estamos com uma ocupação acima de 100%. Além de pacientes nas UTIs, temos pacientes intubados em enfermarias, o que é péssimo”, ressaltou.

O especialista, consultor da Sociedade Brasileira de Infectologia (SBI), avalia que o país atingirá a marca de 500 mil mortes pela Covid-19 na segunda quinzena de junho. “A marca de meio milhão de mortos está sendo antecipada por que, como as UTIs estão lotadas, a assistência prestada aos pacientes acaba sendo inferior e um número maior de pessoas vai a óbito”, acrescentou.

Mais da metade dos pacientes internados em UTIs públicas morrem, segundo levantamento
Um levantamento do projeto UTIs brasileiras, liderado pela Associação de Medicina Intensiva Brasileira (Amib) em parceria com a empresa Epimed Solutions, indicou que, entre os internados com Covid-19 nas UTIs públicas, 54% foram ao óbito, nas unidades particulares o índice foi de 30%. Os dados consideram o período de 1º de março a 26 de maio, a partir de registros realizados por serviços de saúde de todas as regiões do Brasil.

Para a presidente da Amib, Suzana Lobo, a diferença entre as taxas de mortalidade estão relacionadas a pelo menos três fatores. “Os pacientes atendidos no sistema público já chegam aos hospitais com quadros mais graves. Além disso, as UTIs públicas apresentam uma taxa de ocupação maior que as particulares. Por fim, a internação acontece em um prazo maior no serviço público, o que impacta na evolução dos casos”, afirmou Suzana.

Segundo Suzana, os pacientes da rede pública também utilizam mais os recursos das Unidades de Terapia Intensiva, como o suporte ventilatório e o suporte renal (diálise). “Isso demonstra que os pacientes da rede pública chegam ao atendimento com quadros mais graves e consomem mais os recursos da UTI, consequentemente, esses pacientes têm piores resultados”, explicou.

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