Número de queimadas em 2020 supera todo o ano de 2019 no Vale do Paraíba

Dados do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) apontam que o número de focos de incêndio registrados neste ano é mais que o dobro do registrado em todo ano de 2019 no Vale do Paraíba. Até 15 de setembro de 2020, já foram 233 focos de incêndio, contra 115 em todo o ano passado.

O aumento no número de incêndios reflete no trabalho do Corpo de Bombeiros da região, como explica o tenente coronel Camargo Júnior, comandante da corporação no Vale do Paraíba.

“Tivemos um aumento de 22% no número de ocorrências, isso é bastante. Todo nosso efetivo está de sobreaviso e já usamos efetivo em folga para compor o combate. Incêndio em vegetação, em quase toda totalidade, é causado por ação humana, fazendo limpeza de terreno que foge de controle. Também tem o caso de ecoturistas que querem passar a noite e insistem em fazer fogueiras. E também por displicências diversas, como bituca de cigarros”, diz.

Um dos pontos afetados pelo fogo é a região da Serrinha, em Caçapava. O bairro fica próximo à rodovia Carvalho Pinto. A região é cercada por propriedades rurais, e estão sendo registrados incêndios desde domingo (13). Devido aos constantes incêndios, os moradores decidiram se organizar.

“Estamos montando uma brigada de incêndio com um pessoal mais ativo. Pegamos contatos com a Defesa Civil e estamos sempre monitorando. Quando vemos um foco de incêndio, um avisa o outro e por aí vai”, explica Ricardo Santi Junior, servidor público que mora na região.

O Inpe faz o levantamento dos focos de incêndio a partir de imagens de satélite. Do espaço, é possível ver onde está acontecendo o fogo e sua dimensão.

“O tempo seco e os anos chuvosos, eles se alternam, isso não é novidade nenhuma. A seca desse ano não está pior que já tivemos em outros anos. Foi um período um pouco mais seco e isso facilitou o uso do fogo. É o que estamos acompanhando”, afirma o pesquisador Alberto Setzer.

Os animais também são afetados. Principalmente os que vivem em regiões de mata. Nesta semana, um gambá foi resgatado com 90% do corpo queimado. Ele chegou a receber os primeiros socorros, mas não resistiu.

“As aves têm um trato respiratório mais sensível. Essa fumaça é muito degradante para eles. Mas também temos lobos-guará, cachorro do mato. Temos gambás, várias serpentes e animais mais rasteiros como lagartos, por exemplo”, explica Hanna Kokubun, veterinária.

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