Número de desalojados em Minas e na Bahia pelas chuvas supera 66 mil

As fortes chuvas que atingiram o sul da Bahia e Minas Gerais nas últimas semanas deixaram pelo menos 31 mortos e 66 mil desalojados – pessoas que tiveram que deixar suas casas e conseguiram migrar para outro local como casas de parentes e amigos. Os dados fazem parte dos balanços da Defesa Civil dos estados.

A Bahia é a área mais afetada e concentra 25 das 31 mortes, em geral por desabamentos de casas muito atingidas pelas enchentes ou afogamentos – foi o caso do último óbito, ocorrido na quarta-feira (29), em Ilhéus. O sul da Bahia tem também 37.035 desabrigados – pessoas que não têm para onde ir e dependem de abrigos – 54.771 desalojados e 151 cidades com decreto de estado de emergência.

A tragédia tem como uma das causas a ação da chamada Zona de Convergência do Atlântico Sul, que envia umidade da Amazônia para outras região do país. O fenômeno foi mais intenso que o normal neste ano, influenciado por fatores como o La Niña, que esfria parte das águas no hemisfério sul e provoca alterações climáticas.

Em Itabuna, por exemplo, uma das cidades mais afetadas, só no sábado (25) choveu 135 milímetros — mais da metade do esperado para todo o mês de dezembro, que é 180 milímetros, de acordo com a Sudec (Superintendência de Proteção e Defesa Civil).

A chuva acima da média no estado provocou o rompimento de duas barragens em Apuarema, intensificando ainda mais as enchentes. Outras dez barragens têm risco de rompimento e são monitoradas. Em cidades como Itambé, a prefeitura orientou moradores para que deixem suas casas em regiões baixas da cidade, que podem ser inundadas.

A tendência é que o volume de precipitação seja menor no restante dessa semana, segundo o portal Climatempo. Os efeitos, no entanto, ainda são sentidos de forma intensa pela população. Bairros foram esvaziados, e escolas viraram refúgio para as famílias, que estão sobrevivendo graças a doações.

Na terça-feira (28), o governo federal anunciou uma verba de R$ 200 milhões para auxílio à reconstrução de estradas na Bahia e em outras áreas do Nordeste. O governador da Bahia, Rui Costa, afirmou que o valor de R$ 80 milhões previsto para o estado não permitirá a reconstrução das vias.

O governador afirmou na quinta (30) que aceitará ajuda de envio de profissionais especializados em situação de calamidade pela Argentina. O Ministério das Relações Exteriores havia negado a oferta. Segundo o presidente Jair Bolsonaro, esse auxílio, no momento, não seria necessário.

Minas Gerais

A quinta ainda foi de tempo instável nas regiões mais afetadas pelas chuvas em Minas Gerais. No Norte e Vale do Jequitinhonha a previsão é de diminuição no volume de chuvas. Por outro lado, há risco de chuva forte no Oeste, Triângulo Mineiro, Centro e Sul do estado, o que também preocupa a Defesa Civil.

Em Salinas, as chuvas causaram transbordamento do rio que dá nome à cidade que passa na cidade, fazendo com que grande parte das vias centrais do município ficassem tomadas pelas águas. A população às margens do rio foi retirada.

Já em Porteirinha, a 180 km dali, houve transbordamento do rio Mosquito, que corta o município e cerca de 50 famílias foram afetadas. A maioria foi transferida para abrigos da prefeitura ou se acomodou em casas de parentes.

Desde o início dos temporais na região, seis pessoas morreram (nos municípios de Uberaba, Coronel Fabriciano, Nova Serrana, Engenheiro Caldas, Pescador e Montes Claros), 2.683 ficaram perderam suas casas e 11.337 ficaram desalojadas. O balanço da Defesa Civil de Minas Gerais considera não só as últimas semanas, como o balanço da Bahia, mas todo o período de chuvas, iniciado em outubro. Os efeitos mais graves, no entanto, foram sentidos neste mês, assim como no estado vizinho.

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