Ministério da Justiça encaminha documentos de inteligência ao Congresso

O Ministério da Justiça e Segurança Pública entregou nesta terça-feira (11) a uma comissão do Congresso Nacional um CD com “informações e documentos”, segundo a pasta, sobre as atividades da sua área de inteligência, a Seopi (Secretaria de Operações Integradas). A unidade produziu, em junho, um dossiê sobre o grupo “policiais antifascismo” e quatro acadêmicos considerados “formadores de opinião”.

Indagado pela coluna, o ministério não esclareceu se entre os documentos entregues está uma cópia do relatório. O dossiê, que listou 579 servidores de segurança pública e tem como anexos manifestos, publicações e um suposto “manual de terrorismo”, que pode ser achado na internet e não tem relação com os antifascistas, revelado no dia 24 de julho. São citados os nomes, profissões e estados de lotação dos policiais antifascismo e, em alguns casos, fotografias e endereços de redes sociais e textos divulgados na internet.

De acordo com a assessoria do senador Nelsinho Trad (PSD-MS), presidente da comissão mista de controle dos assuntos de inteligência no Congresso, a CCAI, o parlamentar recebeu um CD do ministério e o guardou. O senador deverá viajar ao Líbano na comitiva oficial que levará ajuda àquele país e somente na terça-feira da semana que vem o material ficará disponibilizado aos outros onze membros da comissão, cinco senadores e seis deputados federais. Para ter acesso à cópia, cada parlamentar terá que assinar um termo de compromisso de sigilo, segundo a assessoria.

Na nota divulgada à imprensa nesta terça-feira, o ministério também não esclarece o conteúdo dos documentos. Disse apenas que foram entregues “informações e documentos necessários para a realização da atividade de controle e fiscalização externos da atividade de inteligência”.

Ao longo de 15 dias, tanto o ministro quanto o ministério emitiram manifestações ambíguas, dizendo que não produziam “dossiê” ou “investigação”, mas ao mesmo tempo não negando diretamente a existência do relatório. Isso só foi admitido pelo ministro André Mendonça na última sexta-feira, em videoconferência fechada ao público na CCAI (Comissão Mista de Controle das Atividades de Inteligência), conforme relataram quatro parlamentares que participaram da reunião.

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