Justiça suspende divulgação de pesquisa com indício de irregularidade sobre 2º turno em Taubaté

A Justiça Eleitoral determinou, em caráter liminar, a suspensão da divulgação de uma pesquisa sobre a disputa de segundo turno para a Prefeitura de Taubaté que havia sido registrada no dia 23 desse mês no TSE (Tribunal Superior Eleitoral), sob o número SP-08943/2020, pelo Instituto Phoenix & Associados – JJ Coelho, que tem sede na cidade de Presidente Médici, no interior de Rondônia.

Datada de quarta-feira (25), a decisão atende a um pedido da coligação de Loreny (Cidadania).

A divulgação da pesquisa estava marcada para o domingo (29) de eleição. Na decisão, o juiz Jorge Alberto Passos Rodrigues afirmou ver irregularidade no fato de a nota fiscal da contratação da pesquisa não ter sido registrada.

As entrevistas, em um total de 1.100, estavam previstas para ser feitas entre os dias 23 e 25. O juiz determinou que elas sejam suspensas ou que, caso já tenham sido concluídas, que a divulgação do resultado não ocorra, sob pena de multa de R$ 53,2 mil.

SUSPEITA.

Segundo informou o Instituto Phoenix ao TSE, o contratante da pesquisa, que pagou R$ 12 mil por ela, se chama Fabio Silva Andrade Junior. De acordo com apuração da reportagem, trata-se de um empresário que mora em Brasília (DF) e que seria filiado ao PSDB.

O questionário da pesquisa tem erros crassos, como a grafia incorreta do nome de Loreny – no questionário que seria aplicado aos eleitores está escrito Loureny.

Além disso, o estatístico responsável era Augusto da Silva Rocha, que também assinava uma pesquisa que teve a divulgação suspensa no primeiro turno – essa outra pesquisa, feita pelo IOPPM (Instituto de Opinião Pública e Pesquisa de Mercado), foi contestada na Justiça por três coligações: a de Loreny, a de José Saud (MDB) e a de Salvador Khuriyeh (PT).

Segundo levantamento publicado pelo jornal O Globo em outubro, Rocha já havia coordenado 937 pesquisas eleitorais em 2020 (número recorde no país), a maioria financiada pelos próprios institutos. O alto número levantou suspeita no Conselho Federal da categoria, que deve abrir um procedimento interno para investigar a atuação do profissional.

Para efeito de comparação, em 2018 Rocha foi responsável por 191 pesquisas eleitorais, o segundo maior número no país, atrás apenas de Márcia Cavallari, diretora do Ibope, que assinou 303, e à frente de Renata Nunes César, do Datafolha, com 81.

A reportagem não conseguiu contato com o Instituto Phoenix, com Fabio Silva Andrade Junior e com Augusto da Silva Rocha.

OUTRAS PESQUISAS.

Também em caráter liminar, a Justiça rejeitou essa semana pedidos da coligação de Loreny para impedir a divulgação de duas pesquisas sobre o segundo turno, ambas previstas para serem publicadas nessa sexta-feira (27).

Uma delas foi registrada no último dia 21 pelo Instituto Veritá, sob o número SP-00139/2020. Com o custo de R$ 28,7 mil, tem como contratante o próprio instituto. A outra pesquisa foi registrada no mesmo dia pelo Instituto Paraná Pesquisas, sob o número SP-05032/2020. Também nesse caso, o contratante foi a própria empresa, a um custo de R$ 8 mil.

A coligação de Loreny apontou supostas irregularidades como: não apresentação do tipo de metodologia a ser aplicada; não indicação de bairros e regiões em que as pesquisas seriam aplicadas; não identificação das fontes pagadoras dos levantamentos.

Nas decisões, o juiz afirmou não ter vislumbrado, por enquanto, qualquer irregularidade nessas duas pesquisas. O magistrado apontou também que não existe impedimento para “que o contratante seja o próprio instituto de pesquisa”.

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