Internações pelo novo coronavírus registram alta recorde no Vale

Nos dois últimos dias, o Vale do Paraíba registrou 529 novas internações em decorrência de complicações do novo coronavírus, um recorde para novembro, mês com tendência de alta nos casos da doença.

Foram 378 pessoas hospitalizadas nesta quarta-feira (25) e 151 no dia anterior, segundo a Fundação Seade.

O saldo de internados em dois dias na região superou o de todo o mês de novembro, que acumula 481 novas internações por causa da doença até esta quarta.

O mês registra aumento de 47% no total de internações frente ao último dia de outubro — 1.503 contra 1.022.

O aumento de pacientes internados é um dos indicadores que mais preocupa o governo estadual, que suspendeu a desmobilização de leitos para Covid-19 em todo o estado para enfrentar o crescimento da pandemia.

Além disso, o Centro de Contingência ao Coronavírus de São Paulo –grupo de 20 médicos que orienta a política de combate à Covid-10 no estado– deve aconselhar o governador João Doria (PSDB) a endurecer as medidas de isolamento social.

De acordo com o jornal Folha de S.Paulo, parte do grupo defende que todo o estado volte ao estágio amarelo, que permite a abertura de estabelecimentos, mas limita o horário. A proposta seria apresentada a Doria nesta quinta-feira (26).

O volume de pessoas internadas com Covid em UTI (Unidade de Terapia Intensiva) no estado cresceu 22%, comparando esta quarta (25) com duas semanas atrás, segundo dados da Secretaria de Saúde de São Paulo.

No Vale, no mesmo intervalo de comparação, o aumento percentual foi de 31%, de 1.145 pessoas internadas para 1.503.

Atualmente, 76% dos municípios paulistas, inclusive os da RMVale e a capital, estão na fase verde do Plano São Paulo, que prevê reabertura controlada de quase todas as atividades, inclusive cinemas e teatros.

O epidemiologista Paulo Menezes, professor do departamento de saúde preventiva da USP (Universidade de São Paulo) e que integra o Centro de Contingência do Estado, disse que a situação é muito preocupante e se agravou na última semana.

“Houve um aumento importante da transmissão do vírus e isso agora reflete no número de casos e de internações. Óbitos levam mais tempo para aparecer”, afirmou ele ao Jornal da Cidade, de Rio Claro.

Para Menezes, apesar de o estado estar com taxas de ocupação de UTI inferiores a 50%, é fundamental que se interrompa a transmissão do vírus nesse momento.

“A sociedade, especialmente os adultos jovens, entendeu que o [estágio] verde é sinal verde para poder fazer o que quiser, como ir a bares, baladas e festas familiares. E o reflexo foi rápido”, completou o médico.

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