Ibovespa abre em queda de mais de 2% com preocupações sobre coronavírus

O tom negativo prevalecia na bolsa nos primeiros negócios desta segunda-feira, acompanhando o viés negativo em praças acionárias no exterior, reflexo de preocupações com as últimas notícias do surto de coronavírus, que começou na China e já infectou mais de 2.700 pessoas e matou 81.

Às 11:02, o Ibovespa caía 2,25%, a 115.718,35 pontos., com todas as ações do índice no vermelho. O volume financeiro somava 4,08 bilhões de reais.

Com as principais bolsas do mundo operando em queda, ativos considerados defensivos pelo mercado, como os metais preciosos se valorizavam. A reação era sentida também no mercado de câmbio, onde o real se desvalorizava frente ao dólar. Considerada a moeda mais segura do mundo, o franco suíço subia 0,3% em relação ao dólar americano.

O número total de casos confirmados na China aumentou cerca de 30%, para 2.744, com cerca de metade na província de Hubei, cuja capital é Wuhan. Mas alguns especialistas suspeitam que o número de pessoas infectadas seja muito maior. Casos já foram confirmados em mais de 10 países, incluindo França, Japão e EUA.

O governo chinês estendeu o feriado do Ano Novo Lunar e grandes empresas fecharam as portas ou disseram a funcionários para trabalhar de casa, na tentativa de conter a propagação do coronavírus.

“Os temores estão crescendo na velocidade com que o coronavírus que começou na China se espalhou para os EUA e a Europa”, observou o analista Jasper Lawler, chefe de pesquisa no London Capital Group, em email a clientes nesta segunda-feira.

“Colocando de lado a tragédia humana, do ponto de vista frio dos mercados, o coronavírus pode servir ao propósito de retirar parte do aquecimento de um mercado que tem subido rapidamente há meses”, observou.

Os futuros em Wall Street também sinalizavam uma abertura negativa do mercado à vista, com a safra de balanços para a semana reservando números de 141 empresas do S&P 500, incluindo Apple, Microsoft e Boeing. Por volta de 10:30, o futuro do S&P recuava 1,5%.
Destaques
– VALE ON despencava 4,5%, em meio ao ambiente de maior aversão a risco no exterior com preocupações sobre os efeitos do surto de coronavírus sobre o crescimento econômico chinês. Também no radar estava a decisão da mineradora de elevar o nível de alerta da Barragem Sul Inferior, em Minas Gerais, citando as fortes chuvas na região. Outros papéis de mineração e siderurgia também figuravam entre os maiores destaques negativos do índice.

– PETROBRAS PN e PETROBRAS ON recuavam 3,45% e 3,7%, respectivamente, acompanhando o tombo nos preços do petróleo no mercado internacional, com os papéis ordinários ainda pressionados pela iminência de uma oferta pública das ações da petrolífera de controle estatal detidas pelo BNDES prevista para o começo de fevereiro.

– SUZANO caía 4,9%, também na ponta negativa, dada a relevância do mercado chinês para o setor de papel e celulose. KLABIN UNIT recuava 3,2%. As empresas do setor trabalhavam com perspectiva de retomada do mercado e dos reajustes de preços da commodity após o feriado do Ano Novo chinês, no final deste mês.

– BRADESCO PN perdia 1,3%, com o setor de bancos também pressionado pelo aumento da aversão a risco global. ITAÚ UNIBANCO PN perdia 0,8%. SANTANDER BRASIL tinha oscilação negativa de 0,07%

– GOL PN mostrava declínio de 3,7%, também afetada pela valorização do dólar em relação ao real, e AZUL PN tinha queda de 2,8%, além dos receios sobre os efeitos do coronavírus sobre a indústria global de turismo.

– TAURUS ARMAS PN, que não está no Ibovespa, disparava 12%, após assinar acordo definitivo para a criação de uma joint venture que permitirá a fabricação e comercialização de armas na Índia.

– JSL ON perdia 3%. A empresa de logística disse nesta segunda-feira que está avaliando a realização de oferta de ações (IPO) da subsidiária Vamos Locação de Caminhões, Máquinas e Equipamentos S.A., ressaltando que ainda não há qualquer decisão quanto à efetiva realização da operação.

Dólar
O dólar era negociado em alta acentuada contra o real nesta segunda-feira, acima de 4,21 reais, acompanhando os movimentos de aversão a risco em todo o mundo em meio aos temores sobre a rápida disseminação do coronavírus chinês.

O número de mortos pela doença semelhante à gripe subiu para 81 nesta segunda-feira, com o governo da China estendendo o feriado do Ano Novo Lunar e grandes empresas fechando as portas na tentativa de conter a propagação.

O número total de casos confirmados na China aumentou cerca de 30%, para 2.744, mas alguns especialistas suspeitam que o número de pessoas infectadas seja muito maior. O vírus já se espalhou para mais de 10 países, incluindo Estados Unidos, França, Austrália e Cingapura.

“Hoje, os mercados financeiros globais exibem um tom majoritariamente negativo”, disse em nota a Correparti Corretora. “A rápida disseminação do coronavírus continua mantendo o investidor avesso ao risco.”

Em nota, a XP Investimentos citou as preocupações com o impacto econômico da doença sobre a segunda maior economia do mundo, à medida que as atividades no país são suspensas, e destacou a liquidez reduzida nos mercados devido ao feriado do Ano Novo Lunar na Ásia.

Nos mercados internacionais, a aversão a risco impulsionava o dólar contra boa parte das divisas arriscadas, como iene chinês, dólar australiano, peso mexicano, lira turca e rand sul-africano. Contra uma cesta de moedas, a divisa dos EUA operava perto da estabilidade, enquanto recuava ante o iene japonês, considerado aposta segura.

Às 9:59, o dólar avançava 0,75%, a 4,2172 reais na venda. Na máxima do dia, a moeda norte-americana chegou a tocar os 4,2177 reais, maior patamar desde 21 de janeiro.

Na última sessão, a divisa norte-americana fechou em alta de 0,45%, a 4,1856 reais na venda, registrando a quarta semana consecutiva de ganhos.

O principal contrato de dólar futuro subia 0,8% neste pregão, a 4,217 reais.

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