Hospital em SP detecta visitantes com coronavírus, mas sem sintomas

Um estudo feito no Hospital São Paulo, ligado à Unifesp (Universidade Federal de São Paulo), alerta para o risco da propagação da covid-19 dentro de instituições de saúde por meio dos visitantes de pacientes internados.

A equipe de pesquisadores submeteu a testes de covid-19, no dia 29 de agosto, 150 visitantes de pessoas que estavam internadas no Hospital São Paulo. Destes, cinco já haviam tido covid-19 anteriormente.

Constatou-se que seis delas (4% do total) portavam o coronavírus no momento em que planejavam entrar no hospital, mas sem apresentar sintomas.

Os visitantes que tiveram resultado positivo foram acompanhados pelo período de 14 dias. Um deles começou a apresentar sintomas da covid-19 no dia seguinte, sendo que outros quatro permaneceram assintomáticos.

O sexto paciente havia contraído o coronavírus 20 dias antes, já não apresentava sintomas, mas o exame permaneceu positivo.

O artigo, publicado no Jornal Internacional de Doenças Infecciosas, ressalta ainda que “dois pacientes visitados (33,3%) desenvolveram sintomas no dia seguinte e tiveram covid-19 confirmada por RT-PCR, mas tiveram alta hospitalar sem complicações”.

O Hospital São Paulo recebe cerca de 150 pessoas diariamente que visitam pacientes internados.

Mantida a taxa de 4%, em uma semana, seriam 42 indivíduos infectados pelo coronavírus circulando pelo hospital, um número que não pode ser menosprezado, especialmente em um ambiente onde há pessoas com a imunidade fragilizada.

A coordenadora do estudo e pesquisadora da Unifesp. a infectologista Nancy Bellei, ressalta que nem mesmo o uso de máscaras é capaz de evitar a transmissão do vírus em um ambiente hospitalar.

Por isso, o artigo sugere medidas como a triagem de visitantes e avaliação de sintomas como forma de evitar a propagação da doença.

Enquanto não há métodos imediatos de detectar quem está infectado pelo coronavírus, a única alternativa dos hospitais durante picos da pandemia seria a restrição das visitas.

“no futuro, quando novos testes rápidos estiverem disponíveis, talvez seja possível testar os visitantes diariamente”, ressalta Nancy.

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