Funcionários do HU da USP denunciam fura-filas em vacinação

Com atividades paralisadas desde segunda-feira (1º), trabalhadores do Hospital Universitário da USP (Universidade de São Paulo) protestam contra a superintendência da unidade. Eles alegam que cirurgiões e anestesistas são privilegiados em detrimento de outros profissionais, furando a fila da vacinação contra a covid-19.

Além disso, apontam a exclusão de profissionais terceirizados das primeiras fases de imunização e a falta da entrega de todas as 1.295 vacinas prometidas.

Os relatos, feitos sob condição de anonimato ao R7, são de que até uma médica desligada do hospital há quatro anos teria sido vacinada, além de médicos que estão em regime de teleatendimento – ou seja, trabalhando em casa – e uma anestesista afastada por licença-médica desde março.

Os denunciantes apontam que, além da gestão equivocada da imunização com as 700 vacinas disponibilizadas até o momento, a superintendência do hospital não cumpre com os protocolos que se comprometeu a seguir, em ofício enviado às chefias do hospital, e que não se abre para o diálogo com os funcionários.

Primeira leva
Segundo relatam os funcionários, embora a promessa em uma reunião com o conselho administrativo do hospital fosse de 1.295 doses da vacina contra a covid-19, a serem aplicadas entre 23 e 26 de janeiro, a primeira remessa foi de somente 200, enviadas pela secretaria municipal de saúde.

As vacinas prometidas estariam no Centro de Convenção Rebouças, segundo a denúncia, e seriam buscadas na última quarta-feira (27). Porém, no dia, os funcionários receberam a informação de que a secretaria estadual de saúde não permitiu o envio dos imunizantes.

Com a primeira remessa, de 200 doses, foram priorizados o ‘gripário’ e a UTI (Unidade de Terapia Intensiva) para adultos. No entanto, funcionários da limpeza dos dois setores, por serem terceirizados, não foram vacinados. O restante das doses foi destinado a outros setores.

Segunda leva

Uma segunda remessa de 500 doses, que chegou em 28 de janeiro, priorizaria profissionais acima dos 60 anos e que tivessem comorbidades. Em seguida, de forma sucessiva a partir de faixas etárias decrescente e sempre a funcionários com comorbidades.

Um ofício da superintendência às chefias do hospital, obtido pelo R7 (confira abaixo), confirma o critério definido para esta etapa da vacinação na unidade.

“Atuo no centro cirúrgico, com um cirurgião e um anestesista. Quando vamos intubar ou extubar um paciente, que é o momento de maior risco, porque entra em contato com a secreção do paciente, o cirurgião está fora da sala. Eu estou dentro. Mas o cirurgião e anestesista foram vacinados, e eu, não”, relatou uma enfermeira.

Os denunciantes contam, ainda, que não conseguem qualquer forma de diálogo com a superintendência do hospital universitário. “Não existe transparência, diálogo e não temos previsão de quando os funcionários serão vacinados”, revelam.

Um novo ato está marcado para esta quinta-feira (4), às 12h30, em frente ao hospital, com as mesmas reivindicações do primeiro, na última segunda: entre elas, principalmente a vacinação em massa para todos os funcionários da unidade, que possui 1.998 trabalhadores entre efetivos e terceirizados.

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