Explosão em Beirute pode ter relação com Nitrato de amônio

Nesta terça-feira (4), uma explosão na região portuária de Beirute deixou ao menos 73 mortos, de acordo com o governo do Líbano. A causa suspeita é uma explosão de 2,7 mil toneladas de nitrato de amônio, substância utilizada como fertilizante. Os riscos do armazenamento incorreto desse material são conhecidos, de acordo com especialistas. O produto já foi responsável por tragédias na França, na China e nos EUA.

Usado para a produção de alimentos, o nitrato de amônio precisa ser armazenado com restrições, de acordo com Guilherme Marson, professor doutor do Instituto de Química da Universidade de São Paulo (USP) e da Sociedade Brasileira de Química (SBQ).

“Não se armazena [nitrato de amônio] em grande escala com segurança. É necessário dividir o produto em pequenas porções para conter um possível estrago. E, principalmente, produzir e já transportar para onde será utilizado”, disse.
Segundo o químico, o nitrato de amônio não é um explosivo por si só. Ele se apresenta como um pó branco ou em grânulos solúveis em água e é seguro, desde que não aquecido ou em contato com alguma faísca. A partir de 210 °C, decompõe-se e, se a temperatura aumentar para além de 290 °C, a reação pode se tornar extremamente explosiva.

“Temperatura, faísca, um início de chama. O calor causa a decomposição, libera nitrogênio, oxigênio e água, eles expandem porque são gases (a água em fase gasosa, é claro). Rapidamente, eles produzem uma onda de choque. É um movimento mecânico dos gases, uma esfera que vai em todas as direções”, explicou Marson.

Os gases liberados têm a mesma massa do nitrato de amônio, mas o volume pode ser mais de 10 mil vezes maior. Marson explica que não é possível impedir a força da explosão, já que o mecanismo acontece rápido e em efeito dominó.

A explosão em Beirute
A explosão no porto causou destruição em larga escala e quebrou o vidro de janelas a quilômetros de distância. Alguns barcos que navegavam próximos à costa do Líbano chegaram a ser balançados pela força da explosão. As explosões chegaram a ser ouvidas em Larnaca, no Chipre, a pouco mais de 200 km da costa libanesa.

O presidente do país, Michel Aoun, disse que a capital deve declarar estado de emergência devido à explosão destra terça-feira e defendeu ser “inaceitável” que 2.750 toneladas de nitrato de amônio fossem armazenadas por seis anos em um depósito sem a segurança necessária.

Apesar de o país já ter sido alvo de terroristas e viver período de instabilidade política, não há evidência de que se trate de um atentado terrorista.

O primeiro-ministro libanês, Hassan Diab, disse em um pronunciamento que o país enfrenta uma catástrofe e declarou luto oficial de três dias. Ele disse também que o governo irá investigar os responsáveis pelo armazém que funcionava no porto da capital desde 2014.

“Eu prometo que esta catástrofe não passará sem que os culpados sejam responsabilizados. Os responsáveis pagarão o preço” – Hassan Diab, primeiro-ministro

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