EUA deverão decidir futuro da Faixa de Gaza quando a guerra de Israel contra o Hamas terminar

Israel expressou um objetivo bem definido em sua resposta aos ataques contra o seu território em 7 de outubro, que deixaram pelo menos 1.400 mortos: “Aniquilar o Hamas”. Mas o futuro da Faixa de Gaza depende de cenários ainda pouco definidos do Estado hebreu, que deseja acabar com todas as suas responsabilidades sobre o território palestino.

“Uma coisa é certa: a Faixa de Gaza não será governada pelo Hamas quando esta guerra terminar”, declarou à AFP o porta-voz do governo israelense, Eylon Levy, dias antes de as FDI (Forças de Defesa de Israel) iniciarem a ofensiva por terra na Faixa de Gaza.

Israel, que controla de fato as fronteiras de Gaza, é considerado pela comunidade internacional o responsável pelas necessidades básicas do território, o que inclui, por exemplo, alimentos e remédios.

Após a guerra, o objetivo é “acabar com as responsabilidades de Israel” na Faixa de Gaza e promover “uma nova realidade de segurança entre os cidadãos de Israel” e na região, afirmou o ministro da Defesa, Yoav Gallant. Mas o que vem depois?

Tutela internacional
Um cenário possível é a tutela internacional mista. “A opção favorita dos americanos e dos israelenses seria uma estrutura internacional”, com a participação da Autoridade Palestina e de “fundos sauditas e regionais, com assistência americana para a administração”, afirma o analista Eitan Shamir, diretor do Centro de Estudos Estratégicos Begin-Sadat.

Para Shamir, “em Gaza acontecerá tudo o que os americanos decidirem”. Após os massacres de 7 de outubro no sul de Israel, Washington reiterou o apoio integral a Israel e prometeu uma ajuda militar de quase US$ 15 bilhões (cerca de R$ 75 bilhões).

“Podemos dizer que [os americanos] se uniram ao nosso gabinete e supervisionaram as operações”, afirmou Shamir.

Mas o presidente Joe Biden não revelou nenhum plano para Gaza, após a eventual invasão, e pediu a Israel que pense cuidadosamente sobre o que deseja fazer com o território depois da guerra.

Solução egípcia
A população da Faixa de Gaza, que inclui 80% de pessoas com status de refugiadas, teme uma possibilidade que considera ainda pior: a necessidade de fugir do enclave ao fim da guerra — um cenário que também vem sendo discutido por autoridades israelenses, de acordo com o jornal americano The New York Times.

Em 24 de outubro, um documento vazado do Ministério de Inteligência de Israel, chefiado pela ministra Gila Gamliel, detalhou que uma solução pós-guerra durável para Gaza teria que incluir a transferência de palestinos para o Sinai, no Egito.

De acordo com o documento obtido pelo site de notícias israelense Calcalist, a medida incluiria três etapas: estabelecer cidades de tendas no Sinai, criar um corredor humanitário e construir cidades no norte do Sinai para os novos refugiados.

Além disso, “uma zona estéril” de vários quilômetros de largura seria estabelecida no Egito ao sul da fronteira com Israel para impedir que os palestinos retornassem.

“A existência do documento e a ideia formal não são uma surpresa. Mas o fato de ter vazado e a prova de que está lá fora são coisas interessantes”, disse ao The New York Times Daniel Levy, presidente do Middle East Project, com sede em Londres, e ex-negociador de paz com os ex-primeiros-ministros israelenses Ehud Barak e Yitzhak Rabin.

As fontes ouvidas pelo The New York Times, porém, revelaram que a guerra ainda está muito longe do fim. E que o futuro de Gaza poderá continuar indefinido mesmo após o término do conflito.

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