Diagnósticos de câncer despencam no Brasil durante pandemia

O Brasil registrou queda do número de exames usados para o diagnóstico de câncer em 2020, durante a pandemia, mostra um levantamento feito pelo Instituto Oncoguia e pela farmacêutica Roche com base em informações do DATASUS (Departamento de Informática do SUS).

O principal procedimento usado para identificar tumores, a biópsia, teve redução de 39,1% em relação ao ano anterior (737,8 mil versus 449,2 mil).

O número de potenciais pacientes com suspeita de câncer e sem biópsia preocupa a fundadora do Instituto Oncoguia, Luciana Holtz.

“O paciente que precisa fazer a biópsia já tem alguma coisa, não é um paciente que está indo fazer um exame para monitorar sua própria saúde. O melhor cenário é a biópsia falar que aquilo é benigno, mas do contrário, não. Tudo indica que a gente já está falando de um câncer.”

O câncer mais frequente em mulheres no país é o de mama (66,3 mil casos em 2020), que requer a mamografia como forma de prevenção e diagnóstico.

No entanto, as mamografias de rastreamento caíram 49,8%, enquanto as de diagnóstico apresentaram redução de 27,2% em todo o sistema público de saúde.

Da mesma forma o exame de PSA (dosagem de antígeno prostático específico), usado na identificação de câncer de próstata apresentou declínio de 30,6%.

Fundamental para o rastreamento de tumores de cólon e reto, a colonoscopia foi outro exame que teve redução durante a pandemia: -36,5%.

O estudo também mostra que os meses de abril e maio, pico da primeira onda em boa parte do Brasil, foi quando mais houve declínio dos procedimentos.

Luciana Holtz alerta para os problemas que saúde pública pode viver no pós-pandemia com tantos casos de câncer represados por ausência de diagnóstico e tratamento no momento certo.

“Vamos enfrentar uma epidemia de câncer em estágio avançado, o que já é uma realidade no Brasil. A gente já tem até estudos científicos que falam que muito provavelmente haverá um aumento da mortalidade na oncologia. Oncologistas já relatam que pacientes estão chegando com a doença avançada.”

O Instituto Oncoguia está discutindo o cenário com secretários estaduais e municipais de Saúde.

“Imaginamos no curto prazo conseguir retomar um pouquinho o fôlego, pensando em ações que a gente consiga fazer para garantir essa questão das biópsias represadas, os exames, os pacientes que estão sem consulta”, acrescenta Luciana.

No entanto, ela recomenda aos pacientes com exames pendentes que mantenham contato com as unidades de saúde e hospitais para tentar realizá-los o mais rápido possível.

“Se você está inseguro [por causa da covid-19], entre em contato com a sua instituição [de saúde] e pergunte sobre os protocolos de segurança.”

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