Debate com candidatos a prefeito tem Felicio como alvo e citações a Doria e Bolsonaro

O debate com candidatos a prefeito de São José dos Campos, realizado na noite dessa quinta-feira (1º) pela Band, foi marcado por críticas ao governo de Felicio Ramuth (PSDB), que busca a reeleição, e por citações ao presidente Jair Bolsonaro (sem partido) e ao governador João Doria (PSDB).

Para este debate foram convidados os nove candidatos cujos partidos políticos têm representatividade no Congresso Nacional. Os únicos candidatos a ficarem de fora foram Raquel de Paula (PSTU) e Luiz Carlos de Oliveira (PTC).

O debate foi dividido em cinco blocos, sendo o primeiro de apresentação, os três próximos de perguntas e o último de considerações finais.

PRIMEIRA RODADA.

A primeira pergunta do debate foi feita por Professor Agliberto (Novo) para Felicio Ramuth (PSDB). Agliberto disse que o governo tucano triplicou a dívida da Prefeitura e não investiu em ações sociais. “O candidato cometeu um erro básico. Ele mistura dívida com financiamento”, rebateu Felicio. Agliberto retrucou, e disse que a dívida consolidada da Prefeitura chegou a R$ 808 milhões, e mesmo assim o governo tucano continuou a fazer obras durante a pandemia. “A gente cumpre nossos compromissos, paga todos em dia e vai continuar fazendo”, alegou Felicio, na tréplica.

Na sequência, Wagner Balieiro (PT) questionou Renata Paiva (PSD) sobre projetos enviados por Felicio à Câmara, como o da taxa de lixo, que teriam taxado mais a população carente do que os demais moradores de São José. Renata disse que a população sofreu com aumentos “exagerados” e prometeu auditoria nas planilhas sobre as taxas aprovadas. Balieiro disse que votou contra os projetos que geraram “aumentos absurdos” e que pretende rever essas taxas. “Quem tem menos tem que pagar menos”, disse o petista. Na tréplica, Renata disse que, no governo Carlinhos Almeida (PT), Balieiro votou a favor de projetos semelhantes.

Coronel Eliane Nikoluk (PL) perguntou a Anderson Senna (PSL) sobre a atuação do Ministério Público no governo Felicio. Senna chamou Felicio de “Doria de São José dos Campos” e disse que o MP tem feito o papel dele, de fiscalizar. Defendeu a eleição de um prefeito “de direita e conservador”. Na réplica, Nikoluk disse que, “quando o município não faz a lição de casa”, o MP age, citando obras suspensas por “falta de audiência pública ou de licenciamento ambiental” na gestão tucana. Na tréplica, Senna afirmou que o PSL fará um governo para “mudar” São José.

Felicio citou ações na área de Esportes, como a retomada da Arena Esportiva, e questionou Nikoluk sobre as propostas dela para o setor. Nikoluk disse que investir em esporte é importante para reduzir a violência. “O município precisa investir em esporte de base”, afirmou a candidata do PL. Na réplica, Felicio listou promessas para a área, como concluir a obra do Teatrão, iniciada ainda na gestão Carlinhos.

Marina Sassi (PSOL) indagou Agliberto sobre aborto. O candidato do Novo disse que a rede pública deve dar “suporte”, para “acolher” as mulheres, e disse que pretende “humanizar” o governo. Disse que a Prefeitura deveria “batalhar” para que a Delegacia de Defesa da Mulher ficasse aberta aos fins de semana. Na réplica, Marina defendeu o “aborto legal e seguro” e fez críticas às ações do governo Jair Bolsonaro (PSL) sobre o tema. “A melhor política pública para reduzir essa e outras questões é a educação”, disse Agliberto na tréplica.

Dr. Cury (PSB) questionou Balieiro sobre a atuação de terceirizadas na Saúde. “Todos os contratos da Prefeitura precisam ter fiscalização, transparência e acompanhamento da sociedade”, disse o petista, afirmando que falta “transparência” no governo Felicio sobre as contratações de terceirizadas. Criticou também a falta de discussão sobre a obra do Arco da Inovação. “Como vocês viram, o blá blá blá é o mesmo”, rebateu Cury, dizendo que PT e PSDB são “irmãos siameses”. Afirmou que os governos do PT e do PSDB não resolveram o problema na saúde da cidade, que é “uma vergonha”. Na tréplica, Balieiro disse que pretende “fortalecer a atenção básica” na saúde.

Renata criticou ações na Saúde e perguntou a João Bosco (PCdoB) sobre projetos para o setor. “Nós estamos em São José dos Campos com um prefeito incompetente”, disse Bosco, citando número de casos confirmados e de mortos por Covid-19. “Ele estimulou que a sociedade promovesse aglomeração em período de pico da pandemia. Isso é uma atitude irresponsável, criminosa”, disse o candidato do PCdoB. “Precisamos fazer mais e melhor”, disse Renata na réplica, prometendo zerar fila de espera por procedimentos no setor. “Vamos investir nas pessoas, coisa que esse governo não tem feito. Esse governo só se preocupa com obras”, afirmou Renata. Na tréplica, Bosco defendeu descentralizar ações no setor, com novas unidades de saúde em bairros.

Bosco afirmou que São José sofre um “processo de desindustrialização” e questionou Marina sobre propostas na área de Emprego. “São José dos Campos está virando a cidade do desemprego. Isso é um absurdo”, respondeu a candidata do PSOL, que defendeu que a Prefeitura pague auxílio-emergencial para famílias carentes. “Nossa cidade está se desindustrializando e o prefeito não toma atitude”, disse Bosco, que afirmou que, caso seja eleito, irá dialogar para tentar impedir a saída de empresas de São José. “A licitação do contrato de ônibus da cidade quer acabar com o emprego de 700 cobradores, isso é um absurdo”, afirmou Marina na tréplica.

Senna questionou se Dr. Cury está do lado de Bolsonaro ou de Doria, com relação às posturas no enfrentamento à pandemia. Cury disse que “não está com nenhum dos dois”. “Esse candidato [Senna] não é do Bolsonaro. O PSL também está na gaveta do Doria”, afirmou. Na réplica, Senna disse que atuou para “tirar o PT do governo” e que agora também quer “tirar o PSDB”. Cury disse que o governo Felicio tem “bons secretários” e que convidará cinco deles para seu governo. Também elogiou programas do governo do PT.

SEGUNDA RODADA.

No segundo bloco de perguntas, os candidatos responderam a questionamentos de jornalistas da Band e do OVALE.

Indagada sobre a burocracia que travaria obras na cidade, Renata Paiva disse que “São José perde a capacidade de competividade devido à burocracia dentro da Prefeitura”, que segundo ela encareceria as obras. Candidata disse que irá agilizar processos, o que possibilitará maior geração de emprego.

Professor Agliberto respondeu sobre investimento em esporte de alto rendimento. “Esporte para mim será tão importante que eu convidei uma vice que é campeã mundial de vôlei”, disse o candidato do Novo. “Esse governo criou uma pandemia também na gestão de esportes em São José dos Campos”, completou.

Felicio Ramuth foi questionado sobre a política de priorizar creches em período parcial, e não período integral. O tucano disse ter zerado a fila de espera das creches e disse que a meta do governo era garantir ensino para todos. “Quarenta por cento das vagas de creche são em período integral”, disse. “A creche em período integral é voltada, na nossa gestão, para aqueles que mais precisam”, completou.

Indagado sobre ações de combate às drogas, Wagner Balieiro disse que terá projetos voltados para a juventude e citou a falta de ações voltadas ao lado social no atual governo. “Os recursos precisam ser voltados para as pessoas”.

Questionado sobre transporte público e mobilidade urbana, Anderson Senna disse que houve “falta de gestão e incompetência” nos governos do PT e do PSDB. “Temos uma malha viária desconectada”, afirmou. “Vamos buscar parcerias com o governo Bolsonaro”, disse.

Questionado sobre projetos na área da Habitação, João Bosco disse que criará uma secretaria para cuidar de projetos habitacionais e regularização fundiária.

Indagado sobre Segurança, Dr. Cury disse que a “segurança em São José dos Campos é uma das melhores do Brasil”, mas que a cidade é a “campeã de jovens infratores” e defendeu “alistamento civil e escolas integrais”. “Jovens infratores têm que ter destino, têm que ter referência”, disse, prometendo “dobrar número de câmeras” de vigilância no município.

Questionada sobre o enfrentamento à pandemia em São José, Marina Sassi disse que a situação em São José “poderia ter sido evitada”. Afirmou que o correto teria sido investir em “testagem em massa” e na defesa do isolamento social. “Infelizmente a gente vê os governantes tentando voltar, a todo custo, à normalidade”. Criticou a redução da frota do transporte público durante a pandemia, o que teria provocado aglomerações nos ônibus da cidade.

Indagada sobre sustentabilidade, Eliane Nikoluk defendeu ações como tratamento de esgoto adequado e uma usina para aproveitamento do lixo gerado na cidade. “Em São José dos Campos, temos apenas 5% de aproveitamento de resíduos orgânicos”.

TERCEIRA RODADA.

No terceiro bloco de perguntas, Professor Agliberto questionou Felicio Ramuth se o governo tucano esqueceu de gerar empregos. “Na nossa gestão, captamos R$ 8 bilhões de investimentos”, rebateu Felicio, dizendo que as obras feitas em sua gestão ajudam as pessoas. “Infelizmente, a gente vê que embolou e não respondeu. Na verdade, não gerou emprego nenhum, esses empregos já estavam aí”, disse Agliberto na réplica, prometendo um “programa pós-pandemia” para a economia de São José. Na tréplica, Felicio disse que a cidade tem gerado empregos nos últimos meses, apesar da pandemia.

Dr. Cury indagou se Wagner Balieiro ficou satisfeito com o governo Felicio. “São José dos Campos foi a pior cidade do Vale do Paraíba em geração de empregos em 2019”, disse Balieiro, defendendo “urgentemente” ações para a retomada da economia na cidade. Promoteu construção de moradias e de creches em período integral. “Não tenham medo. PT e PSDB já mostraram o que eles fizeram. Não tenham medo de uma alternativa. Não vou cometer os erros que PT e PSDB fizeram”, rebateu Cury. Balieiro prometeu não demitir cobradores no transporte público e fixar a tarifa de ônibus em R$ 3.

Felicio questionou Agliberto sobre os Coaps (Contratos Organizativos de Ação Pública). Na resposta, o candidato do Novo não citou os Coaps e disse que o governo Felicio “não prioriza pessoas” e que gastou R$ 60 milhões no Arco da Inovação, mas agora não tem dinheiro para ações necessárias. Na réplica, Felicio ironizou o fato de Agliberto não ter respondido sobre o Coaps. “O Coaps é aquele contrato entre instituições de saúde e a Prefeitura”, disse o tucano, afirmando que, por meio dos Coaps, a saúde da cidade avançou. “Pegadinha com o Felicio, que está fazendo isso o tempo todo”, disse Agliberto na tréplica, afirmando que sabia o que são os Coaps.

João Bosco indagou Dr. Cury sobre as propostas para a periferia de São José. “A periferia de São José dos Campos é a mais necessitada, respondeu Cury. “Obra que liga bairro de rico é fácil fazer”, acrescentou o candidato do PSB. “O plano habitacional é zero, não gerou uma casa”, completou Cury. Na réplica, Bosco disse que irá priorizar ações nas periferias, e não na região central. “É ali que moram os trabalhadores. Ali que mora o pobre, o preto”, afirmou o candidato do PCdoB. Na tréplica, Cury disse que “cuidar das pessoas” é investir em saúde, e que fará isso.

Balieiro questionou o que Eliane Nikoluk faria de diferente no enfrentamento da pandemia. “No momento de crise, determinadas prioridades não foram consideradas”, respondeu a candidata do PL, criticando a falta de um auxílio emergencial, por parte da Prefeitura, para categorias que ficaram desamparadas. “A Prefeitura falhou nesse cuidado com as pessoas”, afirmou Nikoluk. “Meu governo será para as pessoas”, prometeu Balieiro. “Vamos fazer políticas sociais, como fazer a regularização, sem ficar cobrando os moradores”, acrescentou o petista. “Eu tenho andado bastante pela nossa cidade e me surpreende ver uma desigualdade nos nossos bairros”, disse Nikoluk, na tréplica.

Renata Paiva disse que a economia da cidade está estagnada e questionou projetos de Marina Sassi para a área. “Prefeitura não é para gerir negócios de grandes empresários. Prefeitura serve para auxiliar aqueles que mais precisam”, respondeu a candidata do PSOL. “Gasta-se mal e gasta-se muito. Falta competência e falta eficiência”, disse Renata, que afirmou que mais de 70% das creches são em período parcial, o que não auxilia mães trabalhadoras. “O que a gente vê é precarização em todas as áreas em que a Prefeitura é responsável”, disse Marina na tréplica.

Nikoluk ressaltou a importância da transparência na gestão pública e questionou a posição de Renata sobre o tema. A candidata do PSD disse que há falta de transparência no governo atual e que fará diferente, caso eleita. “Nós teremos uma gestão totalmente informatizada. Hoje em dia, por exemplo, a Saúde é feita via malote”, afirmou Renata. Nikoluk disse que São José tem nota abaixo da média dos municípios paulistas no quesito transparência, e afirmou que a transparência é importante para que a população possa participar da gestão da cidade. “Queremos trabalhar dessa forma, ouvindo a população, para que as pessoas possam fazer parte”, disse Renata na tréplica.

Anderson Senna questionou Bosco sobre projetos para a área da Saúde. O candidato do PCdoB disse que irá priorizar um plano emergencial de enfrentamento à pandemia e que dará uma gratificação financeira aos servidores que atuam na linha de frente. Bosco também prometeu testagem em massa na cidade. Na réplica, Senna disse que criará um comitê para fiscalizar as entidades terceirizadas que atuam na saúde do município e prometeu carretas para fazer atendimentos em praças.

Marina indagou Senna sobre as críticas feitas pelo governo Bolsonaro ao Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais), que tem sede em São José. Senna disse que Bolsonaro investe no Inpe e que, em breve, visitará o instituto. “Bolsonaro e seus aliados, sejam escrachados como o senhor, ou mais tímidos como o Felicio, jogam contra São José dos Campos”, rebateu Marina. “Inpe sim, ele não”, concluiu a candidata do PSOL. “Nesse governo Bolsonaro não temos um caso de corrupção. E aqui em São José dos Campos, em parceria com o Bolsonaro, vamos resgatar a ciência, a tecnologia”, disse Senna, na tréplica.

CONSIDERAÇÕES FINAIS.

No bloco das considerações finais, Felicio Ramuth disse que passa “70% do seu tempo nas ruas, com as pessoas”.

Professor Agliberto afirmou que irá governar “para as pessoas” e prometeu criar subprefeituras, para descentralizar a gestão. “Precisamos ter coragem para mudar”, disse.

Wagner Balieiro afirmou que fará um “governo para todos, capaz de superar a crise nesse momento difícil”. Prometeu consultas na rede básica em até cinco dias após o agendamento e também incentivos para atrair empresas para o município.

Renata Paiva disse que fará “um governo totalmente diferente daquilo apresentado até aqui”. Disse que elaborou seu plano de governo após mais de 150 reuniões públicas e com sugestões de mais de 70 entidades. Prometeu construir um hospital para idosos, fazer creches em período integral e subsidiar o transporte público, para reduzir a tarifa. Disse que, no atual governo, “pessoas não são prioridades, prioridades são obras”.

Coronel Eliane Nikoluk disse que se solidariza com funcionários da Embraer e que foram demitidos de outras empresas. Afirmou que esse será um dos maiores desafios do novo governo. “Nosso compromisso é de ouvir, dialogar, construir soluções conjuntas”.

Marina Sassi disse que a “democracia hoje está ameaçada por causa do autoritarismo bolsonarista” e criticou o uso da Polícia Federal para “perseguir ativistas de esquerda”. “A gente tem coragem para mudar. A gente tem coragem para enfrentar ricos e poderosos, porque a gente não tem rabo preso”, afirmou.

Anderson Senna disse que a primeira medida de seu mandato será criar uma comissão com empresários e comerciantes e discutir com o ministro da Economia, Paulo Guedes, uma solução para a retomada da economia na cidade. Afirmou também que recorrerá ao governo Bolsonaro para projetos nas áreas de Esportes e de Habitação.

João Bosco disse que irá “governar para os que mais precisam”. “Nós temos que fazer o trabalho voltado a desenvolver as vontades da periferia”, afirmou. “Em São José dos Campos temos uma grande contradição: a cidade é rica, mas a população é pobre”, acrescentou.

Dr. Cury voltou a defender o fim da polarização entre PT e PSDB em São José. “Mudança é necessária. Chega de PT, chega de PSDB”, disse. “Não tenha medo de mudar”, acrescentou. Disse que, em seu governo, São José terá a “melhor saúde do Brasil”, defendendo “menos pontes de concreto, e mais pontes de safena”.

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