Covid pode passar despercebida em meio a surto de gripe e resfriado

O crescimento dos casos de Covid-19, provocado pela variante Ômicron do coronavírus, associado ao surto de influenza, causado pelo vírus H3N2 cepa Darwin, e ao aumento de outros vírus respiratórios de resfriado comum, pode fazer com que milhões de brasileiros tenham síndrome gripal leve sem saber qual foi o vírus que os infectou.

A infectologista Raquel Muarrek, do Hospital São Luiz, em São Paulo, explica que, ao experimentar qualquer tipo de sintoma gripal ou respiratório, o ideal é que se realizem testes de Covid e influenza.

“A dificuldade de acesso à testagem leva as pessoas a não fazerem o diagnóstico da forma adequada. Mas o ideal é que elas busquem realizar os testes, seja em uma farmácia, hospital ou na rede pública.”

A rede privada oferece o exame de painel viral, que detecta cerca de 20 vírus respiratórios. No entanto, ele não é coberto pelos planos de saúde para pessoas que não fazem parte dos grupos de risco.

Segundo a plataforma de dados Our World in Data, cerca de 58,3% dos novos casos de Covid-19 no Brasil são causados pela Ômicron. A nova variante, descoberta na África do Sul, é considerada mais transmissível que as mutações anteriores.

“A nova onda já está no Brasil. Cerca de 60% dos casos já são de Ômicron no país. Ainda é preciso seguir com a análise genômica, pois está sendo observado um aumento de casos de gripe, principalmente na região Sudeste, com necessidade de vacinação contra gripe. O somatório de ambos leva as pessoas ao pronto-socorro, com o aumento de cerca de 300% nos casos de Covid-19 e até 60% de internações”, explica Raquel.

A infectologista lembra que, devido à vacinação em massa, os sintomas experimentados por quem contrai o vírus são, na maioria dos casos, mais leves, podendo levar a pessoa a contrair a Covid-19 e não ficar sabendo.

Pacientes com Covid-19, gripe ou resfriado comum podem experimentar febre, dores no corpo e de cabeça, tosse seca, garganta arranhando, cansaço, entre outros. Especialistas ressaltam que é impossível diferenciar qualquer uma das doenças com base nesses sintomas.

No entanto, “mesmo após a vacinação, a transmissão continua a mesma, por isso é importante a manutenção do isolamento social”, alerta a médica.

No Brasil, diferentemente de outros países, como Estados Unidos e Argentina, não existem testes caseiros para a Covid-19.

A especialista afirma que o ideal seria a utilização desses exames para facilitar o diagnóstico e, dessa forma, evitar surtos da doença entre familiares.

Casos de flurona, quando a pessoa é infectada por Covid-19 e gripe ao mesmo tempo, também estão sendo detectados no país.

Raquel explica que os testes para detectar cada tipo de vírus são diferentes.

“Os exames não são iguais e [o resultado] pode, até mesmo, ser positivo para os dois. A testagem às vezes se faz no tempo errado. O ideal é que se faça cada teste pelo tempo dos sintomas. O teste de antígeno, entre o primeiro e o quinto dia após experimentar os sintomas; ou teste molecular, entre o terceiro e o décimo dias. Da mesma forma o da gripe.”

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