Consumidor poderá sacar com o Pix no comércio a partir desta segunda

O consumidor poderá sacar até R$ 600 por dia em supermercados, lojas, padarias e estabelecimentos comerciais em geral. O Pix Saque e o Pix Troco, novas modalidades do sistema de pagamentos instantâneos, passam a funcionar a partir desta segunda-feira (29).

A duas novas medidas são opcionais, segundo o Banco Central, cabendo a decisão final aos estabelecimentos comerciais, às empresas proprietárias de redes de autoatendimento e às instituições financeiras. As instituições comerciais apoiam a iniciativa e consideram que os comerciantes que já aceitam o Pix estão prontos para trabalhar com as novas modalidades.

Pix Saque
O Pix Saque permitirá que os clientes de qualquer instituição participante do sistema realizem saque em um dos pontos que ofertar o serviço.

Estabelecimentos comerciais, redes de caixas eletrônicos compartilhados e participantes do Pix, por meio de seus serviços de autoatendimento próprios, poderão ofertar o serviço. Para ter acesso aos recursos em espécie, o cliente fará um Pix para o agente de saque, em dinâmica similar à de um Pix normal, a partir da leitura de um QR Code ou a partir do aplicativo do prestador do serviço.

Pix Troco
No Pix Troco, a dinâmica é praticamente idêntica. A diferença é que o saque de recursos em espécie pode ser feito durante o pagamento de uma compra ao estabelecimento. Nesse caso, o Pix é feito pelo valor total, ou seja, da compra mais o saque. No extrato do cliente aparecerá o valor correspondente ao saque e à compra.

Limite
O limite máximo das transações do Pix Saque e do Pix Troco será de R$ 500,00 durante o dia e de R$ 100,00 no período noturno (das 20h às 6h). De acordo com o BC, haverá, no entanto, liberdade para que os ofertantes dos novos produtos do Pix trabalhem com limites inferiores a esses valores caso considerem mais adequado aos seus fins.

Tarifas
Não haverá cobrança de tarifas para clientes pessoas naturais (pessoas físicas e microempreendedores individuais) por parte da instituição detentora da conta de depósitos ou da conta de pagamento pré-paga para a realização do Pix Saque ou do Pix Troco para até oito transações mensais. A partir da nona transação realizada, as instituições financeiras ou de pagamentos detentoras da conta do usuário pagador podem cobrar uma tarifa pela transação.

Segundo o BC, o valor da tarifa cobrada é de livre estabelecimento pela instituição e deve ser informado ao usuário pagador antes da etapa de confirmação da transação. “Os usuários nunca poderão ser cobrados diretamente pelos agentes de saque”, orienta o Banco Central.

O BC explica ainda que os quatro saques tradicionais gratuitos realizados pelo usuário fora do âmbito do Pix Saque e Pix Troco podem ser descontados da franquia de gratuidades (oito por mês). Ou seja, se o usuário realizar um saque de sua conta, sem ser por meio do Pix Saque ou Pix Troco, esse saque poderá ser contabilizado e sua franquia de gratuidades poderá ser reduzida de oito para sete, a critério da instituição.

Para o comércio que disponibilizar o serviço, as operações do Pix Saque e do Pix Troco representarão o recebimento de uma tarifa que pode variar de R$ 0,25 a R$ 0,95 por transação, a depender da negociação com sua instituição de relacionamento.

Kelly Carvalho, assessora econômica da FecomercioSP, explica que a oferta do serviço diminuirá os custos dos estabelecimentos comerciais, como aqueles relacionados à segurança e aos depósitos, além de possibilitar que os estabelecimentos ganhem mais visibilidade para seus produtos e serviços.

O sistema de pagamento Pix completou um ano em novembro e já contabiliza 112,6 milhões de usuários, dos quais 105,24 milhões são pessoas físicas e 7,41 milhões são pessoas jurídicas. Para a economista da FecomercioSP, quem já trabalha com o Pix como forma de pagamento está preparado para as novas modalidades.

Os estabelecimentos comerciais que querem ofertar as novas modalidades devem aceitar o Pix como forma de pagamento, assinando contrato bilateral com o participante Pix (geralmente, o banco de relacionamento da empresa), de acordo com a FecomercioSP. “Na sequência, os estabelecimentos comerciais devem definir o dia e horário em que oferecerão o serviço, limites mínimo e máximo de saque e se ofertarão valores trocados ou redondos”, orienta a instituição.

O economista Ulisses Ruiz de Gamboa, da Associação Comercial de São Paulo, também vê como positivas as novas medidas, que devem ajudar a aumentar as transações no comércio, principalmente para os pequenos e médios comerciantes. Para ele, o sistema vai beneficiar o comerciante não só pela tarifa que receberá por operação, mas também pelo fato de ser mais um incentivo a realizar compras nas lojas.

Além disso, o sistema Pix pode ser uma alternativa para a oferta de descontos. “Abre possibilidade de os comercintes darem incentivo adicional a operações desse tipo. As pessoas têm dificuldade de tirar dinheiro em espécie porque não há mais a quantidade de caixas eletrônicos que havia no passado. É algo que beneficia todos os lados. No fundo, vai reduzir o custo de transação, vai aumentar o número de transações comerciais, e todo mundo sairá ganhando”, conclui o economista da Associação Comercial de São Paulo.

Deixe comentário

× Fale com a Showtime