Bolsa cai 10% e tem negociação suspensa; dólar opera em alta, a R$ 4,77

A Bolsa brasileira teve a operação suspensa após atingir queda de mais de 10% nesta segunda-feira (9). A interrupção dos negócios não acontecia desde 2017, na época do “Joesley Day”, quando o então presidente Michel Temer foi acusado pelo empresário Joesley Batista de integrar um esquema de corrupção. Os negócios foram interrompidos pouco depois da abertura, às 10h30, quando o Ibovespa, principal índice da Bolsa, caía 10,02%, a 88.178,33 pontos, e a Petrobras liderava as perdas, com desvalorização de mais de 24%. No mesmo horário, o dólar comercial avançava 2,87%, a R$ 4,767 na venda.

As Bolsas dos Estados Unidos também suspenderam os negócios logo depois da abertura, devido à queda de 7% nos índices. Elas voltaram a operar depois de 15 minutos, ainda em forte queda.

O dia é de caos nos mercados mundiais, com o derretimento das Bolsas na Ásia, na Europa e nos Estados Unidos, após uma disputa de preços entre a Rússia e a Arábia Saudita derrubar a cotação do petróleo em mais de 30%.

Caos nos mercados mundiais
A cotação no mercado internacional já vinha em queda há duas semanas, o que levou a Opep (Organização dos Países Exportadores de Petróleo) a propor uma redução na produção para tentar conter essa desvalorização. Mas as negociações não terminaram bem. A Rússia se recusou a apoiar os cortes, e a Arábia Saudita retaliou sinalizando que aumentará a produção para ganhar participação no mercado. Os sauditas cortaram seus preços oficiais de venda.

A disputa comercial fez a cotação do petróleo ter a maior queda desde a Guerra do Golfo.

O tombo nos preços do petróleo se soma ao pânico que já acometia os investidores com os efeitos do coronavírus na economia mundial.

Diante da disparada do dólar, o Banco Central anunciou hoje que vai triplicar a intervenção no mercado de câmbio anunciada na sexta-feira, de US$ 1 bilhão para US$ 3 bilhões no mercado à vista.

O valor do dólar divulgado diariamente pela imprensa, refere-se ao dólar comercial. Para quem vai viajar e precisa comprar moeda em corretoras de câmbio, o valor é bem mais alto.

O que é “circuit breaker”
A interrupção dos negócios, chamada de “circuit breaker”, é um mecanismo adotado no mundo todo e serve para garantir proteção quando há grande instabilidade em momentos atípicos do mercado.

Aqui no Brasil, quando a queda da Bolsa atinge 10%, ela é paralisada por 30 minutos. Passado esse intervalo, os negócios são reabertos e o limite de queda passa a ser de 15%. Se a baixa chegar a 15%, a Bolsa para novamente, agora por uma hora. Após esse período, as operações são retomadas e o limite de baixa aumenta para 20%. Se o Ibovespa cai 20%, os mercados podem ser interrompidos por qualquer prazo definido pela Bolsa de Valores.

Bolsas da Europa operam em forte baixa
As ações europeias caíam com força hoje, com o índice de referência STOXX 600 em território baixista. Às 8h08 (horário de Brasília), o índice FTSEEurofirst 300 caía 6,38%, a 1.341 pontos, enquanto o índice pan-europeu STOXX 600 perdia 6,32%, a 344 pontos, atendendo aos critérios comuns de uma mudança para um ambiente ainda maior de baixa, implicando uma queda de 20% em relação a máximas de todos os tempos.

O índice estava a caminho de sua maior queda percentual desde junho de 2016, quando o Reino Unido votou para sair da União Europeia.

Todos os subsetores europeus estavam no vermelho, com mineradoras, montadoras, bancos e seguradoras, sensíveis ao crescimento, caindo entre 6% e 8%.

Os setores defensivos, considerados mais seguros em tempos de incerteza econômica, também registravam leves perdas.

Em Londres, o índice Financial Times recuava 6,40%, a 6.048 pontos
Em Frankfurt, o índice DAX caía 6,73%, a 10.764 pontos
Em Paris, o índice CAC-40 perdia 6,89%, a 4.784 pontos
Em Milão, o índice Ftse/Mib tinha desvalorização de 9,87%, a 18.747 pontos
Em Madri, o índice Ibex-35 registrava baixa de 6,71%, a 7.813 pontos
Em Lisboa, o índice PSI20 desvalorizava-se 6,84%, a 4.351 pontos
Bolsas da Ásia fecham em forte queda
Nesta segunda-feira, o índice CSI300, que reúne as maiores companhias listadas em Xangai e Shenzhen, caiu 3,42%, enquanto o índice de Xangai teve queda de 3,01%.

Houve queda generalizada entre os setores, pressionados pelo de matérias-primas.

No dia, investidores estrangeiros venderam ações-A no valor de mais de 12 bilhões de iuanes (US$ 1,73 bilhões) através do Stock Connect que liga a China continental a Hong Kong em meio a uma corrida para comprar ativos menos arriscados.

Ainda assim, as perdas foram limitadas em comparação com outros mercados, com o número de novos casos do vírus na China caindo e as expectativas de mais suporte por Pequim para ajudar a economia.

Em Tóquio, o índice Nikkei recuou 5,07%, a 19.698 pontos
Em Hong Kong, o índice Hang Seng caiu 4,23%, a 25.040 pontos
Em Xangai, o índice SSEC perdeu 3,01%, a 2.943 pontos
O índice CSI300, que reúne as maiores companhias listadas em Xangai e Shenzhen, retrocedeu 3,42%, a 3.997 pontos
Em Seul, o índice Kospi teve desvalorização de 4,19%, a 1.954 pontos
Em Taiwan, o índice Taiex registrou baixa de 3,04%, a 10.977 pontos
Em Singapura, o índice Straits Times desvalorizou-se 6,03%, a 2.782 pontos
Em Sydney o índice S&P/ASX 200 recuou 7,33%, a 5.760 pontos
Bolsas do Golfo derretem
As Bolsas do Golfo também operavam em baixa expressiva após a queda do preço do petróleo. A Bolsa da Arábia Saudita, a mais importante do Golfo, recuava 9,4%.

As ações da gigante do petróleo Saudi Aramco caíram 10% pela segunda sessão consecutiva, muito abaixo do preço de entrada na Bolsa em dezembro (32 rials).

Nos países do Golfo, as negociações na Bolsa são automaticamente suspensas quando uma ação ou toda a Bolsa caem 10% ou registram alta de 15%.

O principal índice da Bolsa do Kuwait (Premier Index) registrou queda de 10,3% e as negociações foram suspensas.

Dubai perdia 9%, o menor nível em sete anos, mas as autoridades suspenderam as negociações para a maioria dos valores após quedas de 10%.

A Bolsa de Abu Dhabi recuava 8,2% e registrou o menor nível em quatro anos, enquanto a praça do Catar recuava 9,3%.

Atuação do BC
O BC anunciou hoje leilão de venda de dólar à vista de até US$ 3 bilhões, triplicando o anúncio de venda de até US$ 1 bilhão feito na sexta-feira.

O diretor de política monetária do BC, Bruno Serra, indicou hoje que as intervenções cambiais do BC podem durar o tempo que for necessário e disse que o banco não tem preconceito ou preferência por uso de nenhum dos instrumentos à sua disposição.

O presidente Jair Bolsonaro segue em viagem aos Estados Unidos, enquanto o ministro da Economia, Paulo Guedes, cancelou viagem ao país para ficar no Brasil para a defesa e o encaminhamento das reformas econômicas.

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