Banho ao chegar da escola ajuda na prevenção da covid-19

Pais e professores estão inseguros com a volta às aulas durante a pandemia de covid-19. Na rede pública estadual de São Paulo, o retorno foi autorizado para alunos do ensino médio e é optativo. O Conselho Regional de Medicina do Estado de São Paulo (CREMESP) e a Sociedade de Pediatria de São Paulo (SPSP) avaliam que a retomada é positiva, desde que tomadas as precauções necessárias, como distanciamento, higiene e uso de máscaras.

“O maior risco está justamente na questão da aglomeração. Por isso as escolas devem ter de 20% a no máximo 35% de ocupação e respeitar o distanciamento mínimo de 1,5 metros”, afirma o pediatra Fausto Flor Carvalho, chefe do Departamento de Saúde Escolar da Sociedade de Pediatria de São Paulo (SPSP).

Para que essas medidas sejam viáveis, a recomendação da SPSP e do CREMESP, de acordo com documento divulgado em 31 de agosto, é adotar um novo modelo de organização nos ambientes pedagógicos, com horários de entrada, intervalo e saída diferentes entre as turmas, organização da sala de aula e restrição ao uso de espaços coletivos, como refeitórios.

Carvalho aconselha que as crianças e adolescentes utilizem três máscaras distintas ao longo do dia. “É recomendável que a criança vá com máscara, retire e troque por outra ao chegar na escola e ao voltar [para casa] utilize uma nova máscara”, orienta.

Além disso, o ideal ao retornar para o domicílio é separar a roupa usada para lavagem e ir direto para o banho. “Especialmente, para aqueles que moram com pessoas do grupo de risco”, enfatiza.

Quem apresentar qualquer sintoma de covid-19 – como febre, tosse seca, fadiga – não deve ir para a escola. O pediatra ressalta que em crianças a doença pode gerar reações gastrointestinais, como diarreia, vômito e náuseas.

“As equipes devem ficar atentas aos professores e demais profissionais. Aqueles que tiverem covid precisam ficar em isolamento por 14 dias e, se apresentarem sintomas, fazer o teste”, acrescenta. “O ideal seria testar todo mundo, mas estamos longe disso”, pondera.

O especialista não se opõe a visitas das crianças aos avós, mas destaca que elas devem ser realizadas em dias diferentes dos da escola, com atenção redobrada à lavagem de mãos e respeito ao distanciamento social, o que significa que abraços e beijos devem ser evitados.

“O vírus ainda está circulando. Aqui na região de Avaré [cidade no interior de São Paulo] outubro foi o mês que a gente teve mais casos [de infecção pelo ‘coronavírus]. A pandemia ainda não passou”, alerta.

“A volta é necessária. Mas governos e pais precisam se programar, porque a vacina não vai resolver tudo. No ano que vem, provavelmente, vamos ter o que aconteceu na Europa, com recuos e acompanhamento a distância”, finaliza.

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