Após série de atrasos, Anhangabaú de Covas só será entregue em abril

A conclusão da reforma do Vale do Anhangabaú, tradicional e um dos mais conhecidos pontos do centro de São Paulo, deve ocorrer no início de abril deste ano, conforme expectativa da prefeitura municipal. O projeto foi marcado por polêmicas e atrasos.

Segundo historiadores, foram feitas oito reformas no Anhangabaú — que tem 15 mil metros quadrados — nos últimos 100 anos. A última começou em 2019, durante na gestão do prefeito Bruno Covas (PSDB).

No entanto, a entrega, prevista para janeiro de 2021, foi adiada cinco vezes e os custos aos cofres públicos saltaram de R$ 80 milhões para cerca de R$ 105,6 milhões.

De acordo com o consórcio responsável por executar a reforma, o aumento dos valores ocorreu em razão de imprevistos e alterações no projeto. E, devido ao atraso, passou a vigorar o aditivo que previa um reajuste de R$ 11,8 milhões no contrato.

Prejuízos à economia da região
O vaivém de recomeços e cancelamentos na revitalização do Anhangabaú também aflige donos de hotéis, restaurantes e outros comerciantes do entorno que sofrem com os efeitos da pandemia e viram a renda cair muito. Os tapumes afastaram turistas e frequentadores.

Já com a obra em andamento, a Associação Preserva São Paulo ingressou na Justiça para cobrar explicações sobre as mudanças propostas no projeto e pela falta de audiências públicas para discutir o assunto.

Em agosto de 2020, os trabalhos foram paralisados. No entanto, a prefeitura da capital paulista obteve uma liminar judicial para seguir com as mudanças no Vale. No fim de fevereiro, foi entregue à população um pequeno trecho do novo Anhangabaú com uma pista de skate.

Paisagismo
Mas a nova cara do Vale do Anhanbagaú também suscita opiniões diferentes dos paulistanos em razão do paisagismo, pois a revitalização transformou imenso calçadão, sem área verde. “Sinto falta da natureza. A versão anterior era muito mais arborizada”, diz o skatista Raimundo Vale.

O paisagista Ricardo Cardim avalia que a região deveria ter árvores, jardins e gramados que propiciassem serviços ambientais para uma área já tão necessitada como é o centro de São Paulo — e que evitassem transtornos à população na época das chuvas.

“Com então, o Vale do Anhangabaú, que no passado foi um ribeirão cercado de mata atlântica é transformado em uma grande laje que vai do Viaduto do Chá ao Viaduto Santa Ifigência? Uma laje que só vai piorar a ilha de calor”, questiona o paisagista Ricardo Cardim.

O que diz a Prefeitura de SP
Em nota, a Prefeitura de São Paulo declarou que os trabalhos no Vale do Anhangabaú foram concluídos, mas os equipamentos instalados estão em testes. Já o encarecimento da obra ocorreu porque o projeto inicial precisou ser reformulado.

Com relação ao prazo, a gestão municipal justificou que o calendário foi estendido porque as equipes foram reduzidas durante a pandemia.

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